Alunos que estudam no nível técnico e superior tiveram desconto na passagem cortado na travessia de catraias (Alexsander Ferraz/AT) Alunos que estudam no nível técnico e superior estão revoltados após serem comunicados sobre um corte no benefício de meia passagem na travessia de catraias entre Santos e o distrito de Vicente de Carvalho, em Guarujá. Conforme apurado por A Tribuna, os estudantes tiveram acesso a um comunicado informando apenas alunos da educação básica estariam aptos a ter o desconto. O valor integral da passagem custa R\$ 2,75. Clique aqui para seguir agora o canal de A Tribuna no WhatsApp! A Reportagem de A Tribuna conversou com estudantes que moram em Guarujá e relatam estar enfrentando o problema. A estudante de Psicologia Beatriz Magalhães, de 21 anos, não esconde a indignação após saber do comunicado. “(É uma) Situação péssima. O valor que eu pagava mensalmente (com desconto) já quebrava o galho. Estou inconformada com isso. A maioria (das pessoas) que atravessa são trabalhadores e estudantes de nível superior”, afirma. Uma estudante de Ciências Econômicas, de 22 anos, que preferiu não se identificar, explica que foi até a estação das catraias e teve acesso ao comunicado. “Sempre aceitaram dar 50% de desconto para todos que estudavam em Santos e moravam no Guarujá. Fiquei chocada”, relatou. A jovem também explica que utiliza o transporte desde que era criança, mas passou a usa-lo com mais frequência em 2022, quando estava no segundo ano de faculdade. “Por não conseguirem subsídio nem estadual, nem municipal, eles cortaram para quem faz faculdade e curso técnico”, comenta. O estudante de Logística Argel Santana, de 23 anos, também foi afetado pela decisão. “Fiquei indignado, pois é algo necessário para o estudante universitário. É um benefício essencial para a mobilidade dos estudantes, que já enfrentaram diversos desafios financeiros”. Argel explica que soube do comunicado quando foi realizar o recadastramento para o 2º semestre. “Cortar este apoio é ignorar totalmente a importância da educação e esforço de quem busca um futuro melhor”, reclama. Comunicado que os estudantes receberam ao embarcar na catraia (Arquivo Pessoal) Volta às aulas A estudante de engenharia Geovanna Estevez, que passa pela mesma situação, diz que usa a catraia todos os dias para ir para à faculdade. As aulas da estudante foram retomadas no início de agosto. "Simplesmente, ao questionar eles, somente confirmam que não irá ter o benefício”, relata. Geovanna conta que eram disponibilizadas cerca de 40 passagens aos estudantes por mês, e que a quantidade nem sempre era suficiente, pois o curso possui aulas aos sábados. “Tenho que ir pela catraia, já que por conta do horário que chego do trabalho, é o transporte mais rápido”. A estudante de Direito Vanessa Bezerra, de 21 anos, notou a mudança na manhã de quinta (1º). “Minha reação foi estranhar tal atitude e, até o presente momento, pensar que é absurdo que os estudantes sejam obrigados a pagar o valor integral da passagem para se deslocarem até a universidade. A meia passagem deve ser um direito de todos os estudantes”. Resposta A Tribuna entrou contato com a Associação dos Mestres Regionais Autônomos do Porto de Santos, que administra a travessia de catraias, mas não obteve resposta até a publicação desta matéria.