Em Santos, há vacinação disponível para crianças e adolescentes de 10 a 14 anos, mas cobertura vacinal não chega a um quinto desse público (Paulo Pinto/Agência Brasil) A epidemia nacional de dengue neste ano fez com que o número de casos da doença na Baixada Santista no primeiro semestre superasse em quase nove vezes o do mesmo período no ano passado. Neste ano, a região soma 24.522 registros entre janeiro e junho. Em 2023, foram 2.751 nas nove cidades locais. Clique aqui para seguir agora o canal de A Tribuna no WhatsApp! Após atingir pico em abril, o número de novos registros de dengue na região caiu a partir de maio. Segundo o médico infectologista Leonardo Weissmann, do Instituto de Infectologia Emílio Ribas e professor do curso de Medicina da Unaerp em Guarujá, essa situação deve se manter entre este mês e setembro, período mais frio e seco do ano. Depois, contudo, há o risco de que a dengue volte a ter alta na primavera. Segundo Weissmann, nessa estação, o aumento pode ocorrer devido à maior presença de água parada, que proporciona a reprodução do mosquito Aedes aegypti, transmissor da dengue. Entre os fatores que levaram ao aumento de infectados neste ano, o médico apontou o clima como um dos principais. “Tivemos um período de chuvas mais intenso e prolongado, criando mais criadouros para o mosquito.” De acordo com o secretário de Saúde de Santos, Denis Valejo, as mudanças climáticas removeram o caráter sazonal da dengue. “No passado, a dengue era vista como uma doença do verão, mas ainda temos casos, mesmo no inverno. Com as mudanças climáticas, não tivemos, por exemplo, um outono típico neste ano”, afirma. Ele recorda que o calor persistiu no outono, condição que favorece a proliferação do mosquito. A Cidade, que teve 2.851 casos da doença entre janeiro e junho, tem percebido alterações no comportamento da dengue desde o ano passado. Dados da Secretaria de Saúde indicam que, conforme a série histórica, o pico de ocorrências era em março e abril. Desde 2023, tem sido em abril e maio. Outros fatores Conforme Weissmann, outros fatores consistem na “circulação de novos sorotipos do vírus, que podem infectar pessoas que já tiveram dengue anteriormente, (o que) aumentou a suscetibilidade da população” à doença. Ainda segundo ele, “a mobilidade populacional e a urbanização descontrolada contribuíram para a propagação do mosquito em áreas urbanas densamente povoadas”. Outro ponto foi a pandemia de covid-19, que prejudicou o andamento de medidas preventivas. “Durante esse período, muitos serviços de saúde e campanhas de controle vetorial foram interrompidos ou reduzidos, permitindo que o mosquito Aedes aegypti proliferasse mais facilmente”, diz o médico infectologista, reforçando que esse impacto é sentido até hoje. Em meio ano, 33 mortes na região A dengue também causou mortes na Baixada neste ano. No primeiro semestre, o Governo do Estado aponta 33 óbitos confirmados e 15 sob investigação. As prefeituras informaram que, de janeiro a junho de 2023, ninguém havia morrido da doença na região. Por isso, a diretora de Vigilância em Saúde de Bertioga, Marly Inês dos Reis, ressalta que é fundamental que a população mantenha os cuidados para evitar a proliferação do mosquito transmissor da doença mesmo no inverno. “Não se deve jogar na rua nada que venha a acumular água e, com isso, formar criadouros”, diz diretora de Vigilância em Saúde de Bertioga (Vanessa Rodrigues/AT) “É fundamental que, durante o ano todo, o proprietário de uma residência tome conta do seu espaço e elimine todos os possíveis criadouros, desde uma latinha a uma garrafa. Caixas d’água devem também ser vedadas. Quem tiver piscina em casa deve deixá-la sempre em tratamento com cloro”, adverte. Donos de imóveis devem ter atenção com o crescimento de mato, que também pode acumular água da chuva e formar criadouros. Outra recomendação da diretora de Vigilância em Saúde é que não se jogue lixo em vias públicas. “É imprescindível que se cuide do espaço público. Por isso, não se deve jogar na rua nada que venha a acumular água e, com isso, formar criadouros”, acrescentou. Bertioga foi a primeira cidade da região a entrar em estado de emergência pela dengue neste ano. Outro cuidado consiste em que população apta a se vacinar procure postos de saúde para receber o imunizante. Em Santos, a vacina está disponível para pessoas de 10 a 14 anos, conforme preconizado pelo Ministério da Saúde. A baixa cobertura vacinal, contudo, preocupa a Administração. “Somente 17,86% da população (dessa faixa etária) está aderindo ao imunizante”, diz o secretário Denis Valejo. A vacina contra dengue está disponível em todas as policlínicasm de segunda a sexta-feira. Aos sábados, parte desses locais é aberta. “A vacina é o melhor método preventivo contra a dengue”, reforça Valejo.