Especialistas apontam que crescimento populacional negativo projetado pelo IBGE trará uma série de novas demandas (Adobe Stock) A perspectiva de crescimento negativo da população brasileira a partir de 2041, recentemente divulgada pelo IBGE, exigirá uma rápida adaptação do Poder Público às demandas geradas por uma população mais idosa. No Estado de São Paulo, a tendência é que esse processo – que ocorre quando o número de mortes supera o de nascimentos – comece em 2037, acendendo um alerta especial na Baixada Santista, conhecida pela população idosa. Clique aqui para seguir agora o novo canal de A Tribuna no WhatsApp! Na Baixada Santista, houve um crescimento de 57.445 habitantes entre o Censo 2022 e 1º de julho deste ano. O número de residentes aumentou de 1.805.531 para 1.862.976 (3,18%). Na visão do urbanista Maurício Azenha Dias, professor de Arquitetura e Urbanismo da Universidade São Judas, o crescimento populacional na Baixada Santista é baixo, sendo inferior em comparação com outras regiões do País. “Penso que isso tem ligação com o envelhecimento da população. Santos acaba abrigando um contingente grande de pessoas mais velhas que se aposentam e vêm viver aqui, assim como Praia Grande”. O urbanista destaca que é uma tendência que as pessoas se aposentem planejando se mudar para Santos. E muitos jovens acabam saindo da Cidade para procurar melhores condições de trabalho em São Paulo, por exemplo. “Creio que essa população mais idosa de Santos tende a chegar no pico até antes da previsão do IBGE, que diz que em 2070 cerca de 37,8% dos habitantes do país serão idosos”. Se o crescimento econômico for acompanhado de investimentos sociais e, principalmente, de geração de empregos de bom poder aquisitivo, Dias afirma que esse processo será positivo. Por outro lado, se isso não acontecer, o urbanista acredita que o crescimento acabe gerando questões sociais, como carência de serviços de infraestrutura. Para a professora de geografia Lislaine Sousa Ribeiro, ainda é incerto cravar quando a Baixada Santista atingirá seu pico em um todo. Porém, os dados já indicam uma necessidade do Poder Público de se adaptar a uma população mais idosa que procura se aposentar morando na região. Um dos fatores de imprevisibilidade é que a população brasileira vive uma constante mudança. “Ela é totalmente diferente de décadas atrás. Tudo mudou. A internet veio, os valores mudaram, a questão da estrutura familiar mudou e a situação financeira também. Isso vai causando consequências”. “O comportamento da população reflete na questão do crescimento populacional. Por exemplo, a mulher mudou. Antes ela ficava em casa, esperava o esposo com a comida feita e a roupa lavada, só que a questão econômica do País mudou, os preços aumentaram e o homem não consegue ter um salário para sustentar uma família”, explica. A professora também ressalta que o papel da mulher na estrutura familiar mudou a ponto dela ser a principal provedora da casa em muitos casos, focando no profissional a princípio. Situação que diminui a natalidade pela falta de tempo e o custo envolvido na criação de um filho. Além do maior acesso à informação sobre os métodos contraceptivos disponíveis hoje. Melhor idade Envelhecer e se mudar para a praia é um costume bastante cultivado, principalmente por paulistanos. Então, diante desse cenário de crescimento da população idosa na Baixada Santista, Lislaine destaca que há necessidade de investimento do Poder Público em qualidade de vida para a faixa etária. Novas unidades de saúde, lazer e integração para esse público são formas de trazer entretenimento para os idosos. Pois a população está envelhecendo cada vez mais. “Se você tem uma redução da natalidade e um aumento da longevidade, é por causa também da questão dos avanços tecnológicos no setor da saúde, de vacinas e de medicamentos para tratamento”.