Centenas de casos de virose têm sido registrados em cidades da Baixada Santista nesta primeira semana do ano. Moradores e turistas se queixam de sintomas — os mais comuns, diarreia, febre, vômito, dor muscular e coriza. Oficialmente, Santos e Cubatão forneceram números deste início de ano: 273 atendimentos em três dias incompletos, acima das médias diárias de novembro e dezembro em Santos e mais 184 em Cubatão. Em outras, tem sido notado aumento de ocorrências. Conforme relatos obtidos por A Tribuna, os municípios mais afetados têm sido Praia Grande e Guarujá. A terapeuta Jussara Nunes, de 57 anos, moradora de Praia Grande, relatou ter começado a sentir dores no seu corpo após ir à Praia da Guilhermina. “Fiquei na praia por cerca de cinco horas com as minhas amigas, não comi nada e nem entrei na água. À noite, apenas fui ao calçadão da praia, e no dia seguinte começaram as minhas dores”, contou. Jussara informou que, no dia seguinte, foi ao Pronto-Socorro (PS) Central e notou mais de 100 pessoas à sua frente para serem atendidas. “No local, havia muitas pessoas vomitando, com dores na barriga, dores no corpo e diarreia. Fiquei a noite toda com esses mesmos sintomas e só consegui ir até o PS quando melhorei.” Ela contou que muitas pessoas gritavam de dor, mas não havia soro para todas. “Presenciei desmaios e fraqueza de alguns idosos no Pronto-Socorro. (...). Quanto aos medicamentos, tomei soro, dipirona e buscopan.” Outro morador de Praia Grande, o aposentado Nelson Soares, de 61 anos, delarou que, após o uso de água encanada, sintomas de virose começaram a surgir em pessoas de sua casa e de residências vizinhas. Sintomas e cuidados O médico infectologista Roberto Focaccia declarou que a virose é mais comum no verão. “Por conta do calor, de aglomerações e baixo controle sanitário, é frequente o surgimento desses quadros.” Segundo o médico, vírus intestinais são transmitidos durante todo o ano, mas têm maior prevalência nesta época, quando multidões estão em praias. “As viroses estão associadas à falta de higiene de muitas pessoas que evacuam e urinam no mar”, afirmou. A Secretaria de Saúde de São Vicente, em nota, informou ter notado aumento no volume de atendimentos por virose devido a estes possíveis fatores: o aumento da temperatura, que favorece a propagação de vírus por causa da decomposição mais rápida de alimentos. Outras razões Outras razões podem ser a ingestão de alimentos e água contaminados, o que afeta o sistema imunológico, e a aglomeração nas praias, devido ao contato direto entre pessoas. Como meio de se prevenir de viroses, também se recomendaram hábitos de higiene, como lavar as mãos. “Não há superlotação das unidades de saúde e prontos-socorros da Cidade, tampouco faltam analgésicos e antitérmicos nas farmácias”, e a rede de saúde “está preparada para receber pacientes que estejam acometidos com os sintomas”, diz a secretaria. Sabesp, Cetesb, prefeituras A Sabesp afirma não haver relação entre os casos de virose atuais e a água fornecida pela companhia. Não houve nenhuma ocorrência que tenha alterado a qualidade da água fornecida na Baixada Santista nem reclamações nos canais de atendimento aos clientes, diz a empresa. A Companhia Ambiental do Estado (Cetesb), que monitora a balneabilidade das praias do Litoral paulista, e a Secretaria Estadual da Saúde informam acompanhar e orientar os municípios sobre as medidas a serem adotadas em casos do tipo. Só nos primeiros dias do ano, Santos atendeu 273 casos de virose (Prefeitura de Santos) Atendimentos de urgência Alegando não ter dados de casos de virose, Praia Grande confirmou que as unidades de urgência e emergência da Cidade têm atendido pacientes nessa situação com mais frequência. O volume, diz, está relacionado ao grande número de turistas que visitam a Cidade nesta época do ano. Santos informou que, em novembro, houve 2.147 atendimentos; em dezembro, 2.264 e, em janeiro, 273. Em Cubatão, segundo a Prefeitura, o Pronto-Socorro Central fez 22 atendimentos sobre virose, sendo 9 de moradores da Cidade e 13 de outras cidades da região. Na UPA do Casqueiro foram mais 158 atendimentos sobre virose, sendo 100 moradores de Cubatão e 58 de outras cidades, e ainda mais quatro atendimentos no Pronto-Socorro Infantil. A Administração informou, ainda, que na quinta e sexta (2 e 3) foi decretado ponto facultativo, prejudicando o levantamento estatístico. As demais cidades que responderam não indicaram números deste mês. Guarujá registrou aumento em dezembro, com 2.064 pacientes nas unidades de Pronto Atendimento, e estendeu o horário de funcionamento de três unidades de saúde. O Instituto Nacional de Tecnologia e Saúde (INTS), responsável pela gestão do Hospital Municipal de Bertioga, informou que, em dezembro, ocorreram 300 casos de diarreia. A Prefeitura de Peruíbe citou que não houve aumento de casos de virose em relação ao ano passado. Em Mongaguá, registrou-se alta de 35% nos atendimentos desde o início de dezembro, especialmente de disenteria. A de Itanhaém não respondeu até a publicação desta reportagem.