A ZCAS é responsável por gerar precipitações fortes e persistentes, especialmente em áreas já vulneráveis à chuva (Vanessa Rodrigues/AT) Algumas cidades do litoral de São Paulo enfrentam, desde quarta-feira (29), fortes tempestades que têm causado grandes transtornos em diversas cidades da Baixada Santista. Rua alagadas, congestionamentos e moradores impedidos de sair de casa são alguns dos reflexos da chuva intensa que atingiu áreas como Praia Grande, Santos, São Vicente e Guarujá. Clique aqui para seguir o canal de A Tribuna no WhatsApp! Com a situação ainda em alerta, muitas pessoas estão se perguntando: até quando essa chuva vai durar? Para entender melhor o fenômeno, A Tribuna conversou com o climatologista Rodolfo Bonafim, que explicou as causas e ressaltou que o tempo deve melhorar até o fim da próxima semana. De acordo com Bonafim, a origem dessas chuvas está na Zona de Convergência do Atlântico Sul (ZCAS), um fenômeno climático que ocorre quase todos os verões. “É um corredor de umidade que vem da Amazônia e se desloca até a região Sudeste, alimentando-se de várias áreas de instabilidade. Esse fenômeno normalmente afeta a faixa litorânea do Rio de Janeiro para o norte, mas, este ano, se estendeu até o litoral paulista”, explica o climatologista. A ZCAS é responsável por gerar precipitações fortes e persistentes, especialmente em áreas já vulneráveis à chuva. “Não é todo verão que a ZCAS chega até o Litoral paulista, mas quando chega, causa esse tipo de evento, com chuvas fortes e volumosas. O fenômeno se intensifica ainda mais por conta da umidade da Amazônia, que contribui para a formação dessas grandes áreas de instabilidade”, acrescenta Bonafim. Até quando as chuvas vão durar? A boa notícia, segundo Bonafim, é que a intensidade das chuvas não será tão forte quanto a de quarta, mas o risco de chuvas intermitentes e episódios mais intensos permanece. “A previsão é de que a ZCAS continue até pelo menos o domingo, com possibilidade de chuvas até segunda-feira. Ou seja, ainda teremos períodos de chuva fortes e o risco de alagamentos e transtornos continua até o início da próxima semana”, afirma. Para o climatologista, as chuvas devem ser mais constantes em regiões como o litoral norte paulista, especialmente nas cidades de São Sebastião e Bertioga, que estão mais próximas da zona de convergência. “A região do Litoral Norte tem um alerta mais crítico. O impacto para a Baixada Santista será menor, mas ainda assim a previsão é de chuvas intermitentes até o final de semana”, destaca. O perigo dos deslizamentos de terra Além do risco de alagamentos, outro grande alerta gerado pela persistência da chuva é a possibilidade de deslizamentos de terra, especialmente nas áreas de morro. Bonafim fez questão de ressaltar que, embora não haja previsão de eventos catastróficos, o risco de deslizamentos aumenta com a continuidade das chuvas. “As áreas de morro estão muito saturadas. Mesmo que a chuva não seja tão intensa quanto a de ontem, o solo já está encharcado e, com mais precipitação, pode haver o risco de escorregamentos de terra. O perigo existe, principalmente nas áreas mais frágeis”, alerta. O climatologista também lembrou que algumas áreas do Guarujá, por exemplo, já enfrentam problemas recorrentes de drenagem, o que contribui para a facilidade com que as águas se acumulam. Comportamento Sobre o comportamento das chuvas nos próximos dias, Bonafim explicou que elas não terão uma duração contínua, mas surgirão em intervalos, com períodos de calmaria seguidos de chuvas mais fortes. “Não será aquela chuva contínua e persistente de inverno. Teremos momentos de calmaria, mas a qualquer momento as chuvas podem voltar com intensidade. O mormaço e o calor que precedem essas chuvas ajudam a alimentar o fenômeno, gerando mais instabilidade na atmosfera”. Isso significa que a população pode enfrentar momentos de relativa tranquilidade, seguidos por novos episódios de chuva. “O calor durante o dia acaba funcionando como combustível para esse fenômeno. O calor aumenta a evaporação da água e, consequentemente, alimenta a ZCAS, fazendo com que o evento se prolongue e gere mais chuvas durante o período”.