[[legacy_image_209033]] A Tribuna inicia nesta quinta-feira (22) uma série de entrevistas com os três candidatos ao Governo do Estado mais bem votados na última pesquisa Ipec, divulgada na terça-feira (20). Em pauta, as propostas de cada um para os principais problemas de São Paulo e os projetos que pretendem implementar a partir de 1º de janeiro de 2023 para resolver questões que perduram há anos na Baixada Santista, como a ligação viária entre as duas margens do Porto de Santos e o déficit habitacional. O primeiro entrevistado é o ex-prefeito de São Paulo e ex-ministro da Educação Fernando Haddad, do PT. Na edição de amanhã, a entrevista será com o governador e candidato à reeleição, Rodrigo Garcia (PSDB). No sábado, será a vez de Tarcísio de Freitas (Republicanos). Clique, assine A Tribuna por apenas R\$ 1,90 e ganhe centenas de benefícios! Um problema sério na Baixada Santista é o déficit habitacional, que só não é maior do que na Região Metropolitana de São Paulo. Caso eleito, como o senhor pretende equacionar isso? Eu acabo de vir da Vila Telma (Zona Noroeste). Fiz questão de visitar uma região de palafita, que é uma situação extrema. Fiz isso em Santos justamente por saber que aqui o problema habitacional é maior. O Estado de São Paulo, tradicionalmente, investe 1% do ICMS em habitação. Se o Minha Casa, Minha Vida voltar, isso dá jogo com os prefeitos. Tendo dinheiro federal, você faz um pacto com os governos municipais e consegue um arranjo federativo que dá conta da produção de moradia. Se o programa Minha Casa, Minha Vida não for estabelecido, eu vou passar até o final do mandato para 2% do orçamento a vinculação do ICMS. Não tem milagre, você tem que aumentar a verba, porque as populações de até três salários mínimos não conseguem pagar o valor do imóvel, precisam do subsídio. Para construir uma habitação, você vai gastar hoje alguma coisa em torno de R\$ 150 mil. Como é que uma família que ganha até três salários mínimos vai ter condição de pagar R\$ 150 mil mesmo com financiamento? Na região, milhares se deslocam todos os dias de uma cidade a outra, mas o transporte intermunicipal não está plenamente integrado com os serviços municipais. O que será feito para tornar as viagens mais rápidas sem onerar os passageiros? Nós somos a única candidatura que propõe o bilhete único metropolitano. E nós vamos começar gradualmente, porque é um projeto caro para os cofres públicos, mas toda cidade que tiver muito trabalhador e pouco emprego vai ser candidata natural a entrar primeiro. Então, nós vamos começar pelas chamadas cidades dormitórios no passado. É aquela que tinha muito morador e pouco posto de trabalho. Santos e São Vicente, por exemplo, podem estar integradas. Uma questão histórica na região é a ligação viária entre as duas margens do Porto de Santos. Como o Estado vai dialogar com o Governo Federal para resolver a questão e qual é o modelo mais viável, em sua opinião? Eu já me reuni com técnicos e a minha convicção é de que, no longo prazo, apesar de mais caro, o túnel é uma solução definitiva para essa situação. Mas eu ainda vou, em janeiro do ano que vem, se eleito, fazer mais reuniões com as equipes do Estado. A decisão vai ser tomada ano que vem, não vou adiar uma coisa que faz 30 anos que estão esperando. Um problema nacional que ocorre também em São Paulo é o atraso na escolaridade de alunos afetados pela pandemia. O que se pensa para recuperar essas perdas e, no caso do Ensino Médio, como preparar melhor o estudante para tentar uma faculdade? Vou chamar um pacto pela alfabetização com os prefeitos. Nós estávamos numa situação muito boa no Fundamental 1 e perdemos anos de trabalho, então vamos ter que recuperar isso. No caso dos ensinos Médio e Superior, o maior problema é evasão, quem não voltou para a escola. Nós vamos oferecer uma bolsa de estudo para quem evadiu voltar e concluir o Ensino Médio e, se assim desejar, fazer uma universidade. A mortalidade infantil na Baixada Santista apresenta um dos piores índices do Estado. O que pode ser feito para minimizar o problema? O que funciona no caso da mortalidade infantil é a Estratégia de Saúde da Família. Você tem que combinar a atenção básica com a alta complexidade para reduzir o número. A região começa a sofrer problemas de desabastecimento de água em cidades que têm fontes de captação. O que se pode fazer para melhorar a captação? São Paulo tem feito investimentos em reservação de água e integração dos reservatórios. O caminho é esse: reservar mais e integrar os reservatórios para que não haja colapso no abastecimento. A Sabesp tem feito um trabalho importante no Interior. Outra questão fundamental é a geração de empregos, que está, normalmente, atrelada às iniciativas do Governo Federal. No Estado, quais são as propostas para a criação de vagas? Há medidas emergenciais, como aumentar o poder de compra das famílias da base da pirâmide econômica, e outras duas, muito bem recebidas. O salário mínimo paulista sempre foi 20% acima do nacional. Caiu no Governo Doria/Rodrigo Garcia porque eles congelaram durante dois anos. Eu pretendo passar o salário mínimo paulista para R\$ 1.580,00 em janeiro. A outra coisa é que eu vou isentar o ICMS da carne e da cesta básica. Isso vai dar um respiro às famílias de baixa renda. É uma medida emergencial, o que vai resolver o problema de São Paulo é o projeto de reindustrialização do Estado. Eu quero fazer o que a Califórnia fez, que é um sistema estadual de inovação. As universidades produtoras de conhecimento, setor privado e setor público. Esse é o tripé que garante inovação na Califórnia. São Paulo produz 25% do conhecimento latino-americano, metade do conhecimento da produção científica brasileira. Qual é o papel da universidade? Ajudar o setor privado a mapear as oportunidades de negócio e aportar conhecimento pra que isso funcione. Fora isso, o governo tomou medidas equivocadas. Vou dar um exemplo: Franca, Jaú e Birigui, setor calçadista. O Alckmin, para segurar a indústria calçadista no Estado, que respondia por 40% da produção nacional e hoje responde por menos de 8%, baixou o ICMS do calçado de 12% para 7%. O que fizeram o Dória e o Rodrigo? Passaram para 18%. Resultado: quem está aqui já pensa em se mudar – os poucos que ficaram. Ah, não vamos entrar na guerra fiscal... Bom, então você vai perder todas as suas indústrias. Um estudo da Fundação Getulio Vargas aponta que, durante a pandemia, de cada R\$ 1,00 aplicado de fomento à Cultura, foi devolvido à economia R\$ 1,67 no Estado. Tendo em vista esses dados, o que o senhor pretende aprimorar ou criar na área cultural? Nós temos que reorientar o orçamento para pensar a Cultura como economia criativa. Ou a gente entende que essa revolução digital, que passa pela Cultura, é uma área de promoção de desenvolvimento ou nós vamos ficar restritos a fazer shows, o que é bom, mas não pode ser a visão de Cultura. Eu criei a SP Cine na Prefeitura de São Paulo. Na época, eu e o Alckmin combinamos de prever no estatuto da SP Cine a parceria com o Estado, ou seja, o Estado poder aportar recurso. A Baixada Santista vai poder ter editais próprios da SP Cine para produzir audiovisual aqui e você vai ver o que isso vai gerar de negócios. Hoje, há plataformas do mundo inteiro querendo comprar séries, filmes e tudo. Mesma coisa com a música, olha o que a Anitta está fazendo. As pesquisas indicam que o senhor tem uma boa vantagem e provavelmente estará no segundo turno. Como pretende costurar alianças para tentar vencer o segundo turno? Creio que fizemos uma estratégia de primeiro turno interessante. O fato do (Geraldo) Alckmin, do Márcio (França), do Lula e eu estarmos no mesmo palanque aqui em São Paulo, para não falar de Marina (Silva), de (Guilherme) Boulos, de outras lideranças de outros partidos... É uma coalizão de primeiro turno inédita no Estado. É uma proposta de mudar sem abdicar da experiência acumulada. Queremos inovar levando em consideração o que foi feito de bom e promovendo a oxigenação da máquina pública. Estamos com um time para oferecer ao eleitor paulista as melhores condições de patrocinar, com todas as cautelas necessárias, uma mudança de patamar. De inovação, de modernização, de industrialização.