Afinidade pessoal fez Rodrigo decidir o seu voto; José Domingos analisa benfeitorias feitas na cidade; Natália acha bom ter um representante do bairro; Para Roberta, confiabilidade é o mais importante (Vanessa Rodrigues/AT) A defesa de uma causa, a ligação a um bairro ou até mesmo a afinidade pessoal: são diversos os motivos que levam a população a depositar seu voto em um candidato a vereador nas eleições municipais de 2024, que acontecem em menos de um mês. Antes de escolher um candidato ao Legislativo municipal, é importante que o eleitor saiba quais os papeis do vereador. É o que adverte o cientista político e responsável pela metodologia do Instituto de Pesquisas A Tribuna (IPAT), Alcindo Gonçalves. Clique aqui para seguir agora o novo canal de A Tribuna no WhatsApp! Segundo ele, os parlamentares têm três funções principais. “A primeira é legislar, ou seja, propor e votar leis no âmbito municipal. A segunda é fiscalizar o Executivo; no caso dos vereadores, devem fiscalizar o prefeito e as secretarias, por exemplo”. Já a terceira função é representar a população na Câmara Municipal. “Muitas vezes, o vereador está ligado a um bairro, uma região, ou a um segmento profissional, que veem nele um representante para canalizar aspirações e reivindicações para encaminhar via projetos de lei, indicações ao Poder Executivo e discussões que o vereador pode travar em seu espaço político. Ou seja, é a função mais política do vereador”, esclarece. Por vezes, o raio de atuação do vereador é confundido pela população, que acaba vendo nos parlamentares uma espécie de porta de acesso a serviços sociais pessoais ou a interesses de grupos específicos. É o que adverte Marcelo Di Giuseppe, cientista político e CEO do Instituto de Planejamento Estratégico (Ibespe). “Essa disfuncionalidade cria um dilema para os vereadores, pois, se atuarem de forma correta e técnica, podem enfrentar dificuldades para conquistar sucesso nas próximas eleições. Por outro lado, se optarem por uma abordagem mais social, podem ser reconhecidos como atuantes e obter apoio eleitoral”, afirma Di Giuseppe. Para o cientista político, as consequências dessa relação entre população e Legislativo não são positivas. “O resultado dessa equação entre o egoísmo do eleitor e o senso de sobrevivência eleitoral do vereador é nulo para a cidade”, conclui. Opiniões Para o auxiliar de manutenção José Domingos de Souza Pereira, de 42 anos e morador de São Vicente, o mais importante é levar em conta o trabalho realizado pelo candidato. “Eu voto naquele que vejo que faz mais benfeitorias pela cidade, naquele que corre atrás das coisas e vai mais às ruas”. Observar quem cumpre promessas é o principal fator a ser levado em consideração na hora do voto pela bióloga Roberta Peçanha, de 40 anos e moradora de São Paulo. “A confiabilidade é o mais importante, verificar se aquilo que ele está prometendo, ou pelo menos uma parte daquilo, será cumprido”. A afinidade pessoal foi determinante para o porteiro Rodrigo Cruz Tavares, de 49 anos e morador da Caneleira, em Santos, decidir seu voto. “Tenho um amigo que é candidato e é nele em quem vou votar, já que eu o conheço e posso cobrá-lo”, revela. A advogada Natália Colantuano Lima, de 31 anos, acredita que é importante eleger um representante do bairro onde vive. “Acabamos vendo quem está mais próximo da gente, então, acho importante ver se o candidato tem propostas para o meu bairro”, destaca a moradora de Praia Grande.