[[legacy_image_348571]] O comandante explica a importância e a função do recém-ativado Grupamento de Fuzileiros Navais em Santos. Veja parte da entrevista. Quais são as atividades dos fuzileiros navais? De que forma os fuzileiros navais atuam? Nós temos um caráter expedicionário, nós somos uma tropa de pronto emprego e nós temos projeção de poder. O Grupamento de Fuzileiros Navais vai conferir ao oitavo distrito, dentro da sua área de jurisdição, uma ampliação do poder naval, porque nós vamos fortalecer as operações de fuzileiros aqui em Santos. E não só em Santos, porque a área de jurisdição abrange São Paulo e Paraná. Então, nós vamos estar, dentre outras atribuições, garantindo a lei e a ordem, agindo com ações subsidiárias como, por exemplo, aconteceu infelizmente ano passado lá em São Sebastião, onde nós apoiamos a Defesa Civil nos deslizamentos que ocorreram. Os fuzileiros navais atuam de que forma para evitar o tráfico de drogas ou para garantir maior segurança aqui no País? Nós somos os responsáveis, em caso de uma necessidade nível três, que é o terceiro nível de maior probabilidade de segurança e intervenção federal, por assumir a seguran ça dos portos. (...) Estamos consolidando o nosso grupamento. Em dois ou três anos, nós teremos um canil a bordo com cães farejadores também. Isso vai nos conferir ampliar essa capacidade que a Receita Federal, por exemplo, já tem (de coibir o tráfico de drogas). O número de militares também vai aumentar? A gente não tem autorização para aumentar o efetivo geral da Marinha, então, nós temos que ajustar. Tira um pouco do pessoal de determinado local, ajusta e vai trazendo para cá. Nós ativamos (o grupamento) em janeiro com 56 militares. Existe um escalonamento da chegada de militares que vai durar até 2026. Entre junho e julho deste ano, virão mais 36 militares para reforçar o nosso grupamento. E a previsão é que, entre janeiro e março de 2025 e janeiro e março de 2026, venham mais 34. De forma que, no final desses três anos, nós tenhamos 158 militares. Mas a capacidade operativa do grupamento está praticamente a pleno vapor. Como é possível se tornar um fuzileiro naval? Não é uma das tarefas mais fáceis, mas posso afirmar também que é uma das mais significativas e que traz um retorno bastante gratificante para qualquer um que deseje. Recentemente, lá no Rio de Janeiro, ingressaram as primeiras mulheres no curso dos fuzileiros navais. É a primeira turma que está cursando. E é um fato interessante de muito orgulho para nós da Marinha. Para você ser um soldado fuzileiro naval, existe uma prova. São duas turmas por ano. Depois dessa prova escrita, os classificados vão para avaliações eliminatórias, que são as partes física, médica e de saúde. Os aprovados, então, vão ingressar no curso de formação de soldados, com duração aproximada de quatro meses. Conseguindo lograr êxito em toda a graduação, é declarado um dos soldados fuzileiros navais. Fora os soldados, nós temos o ingresso para oficiais pela própria Escola Naval. O candidato entra, passa a ser aspirante da Escola Naval. Ele vai ter dois anos onde ele vai estudar tudo de Marinha, não só a parte voltada para o fuzileiro. No terceiro ano, ele decide por ser fuzileiro naval. Dentro do número de vagas, ele sendo classificado, ele vai ter dois anos de ensino profissionalizante de fuzileiro naval, dentre outras matérias da Marinha. Ele é declarado guarda marinho e, na sequência, é o segundo-tenente. E tem uma outra porta, que são aqueles que decidem fazer faculdades fora e que são de interesse da Marinha. Então, essas pessoas também fazem uma prova, e as classificadas entram para fazer o curso para fazer parte do quadro complementar da Marinha. O senhor está retomando um grupamento que ficou por quase meio século parado. O senhor já atuou em outros portos do Brasil? Sim. Eu me formei em 2001 e, em 2002, eu fui declarado guarda marinho. Como segundo-tenente, em 2003, eu passei uma grande parte no Porto do Rio de janeiro. Depois, eu tive a satisfação de trabalhar em Natal (RN). Fui para o Grupamento de Fuzileiros Navais de Natal. Lá, eu trabalhei por quatro anos. Lá no Nordeste, particularmente em Natal, ele está subordinado ao Comando do Terceiro Distrito Naval. Na área do Terceiro Distrito, existem quatro estados: Ceará, Rio Grande do Norte, Pernambuco e Alagoas. Nesses quatro estados, existem portos muito significativos para o Brasil. Eu tive a oportunidade de participar de ações, sejam em exercícios ou em ações que se necessitou da presença dos fuzileiros em vários momentos. Isso me deu uma bagagem. Eu costumo falar que o ser humano tem que estar em constante aprendizagem. Eu não digo que eu sou autossuficiente. Jamais. E, aqui neste porto (de Santos), em particular, que é o maior porto da América Latina, eu tenho aprendido muito. Mas são bagagens que a gente traz que nos ajudam muito na tomada de decisão. Com essa sua experiência, a sua bagagem, o senhor pretende fortalecer ainda mais o Grupamento de Fuzileiros Navais aqui de Santos? Poder, com 29 anos de Marinha, estar à frente de uma organização militar e saber que ela já teve um passado vitorioso, um passado de conquista, de muita luta e de muito brio, de muita serenidade, de muita verdade, isso me dá força para querer fazer mais. Nós, do Corpo dos Fuzileiros Navais, somos determinados a fazer tudo da melhor maneira possível. Nós temos os valores essenciais de honra, competência, determinação e profissionalismo. São os valores que norteiam o nosso caráter militar, que norteiam nossas ações. Então, pegar esse passado, que foi plenamente exitoso, e trazer, hoje, de volta aqui para Santos, que é o porto que se sobressai na parte econômica do País, é uma responsabilidade, mas é uma satisfação indescritível. Eu falo em meu nome e em nome da minha tripulação: nós não mediremos esforços para que, em nome do corpo dos fuzileiros navais, em nome da Marinha do Brasil, a Cidade de Santos e o Estado de São Paulo possam ter o melhor apoio o possível.