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Sexta-feira

3 de Julho de 2020

Cidades se desdobram para lidar com moradores de rua durante pandemia do coronavírus

Em Guarujá, espaço dentro de ginásio foi criado para tentar minimizar problema. Em Santos, número pode chegar a 4 mil, estima ONG

A preocupação com a Covid-19 em todo o mundo acendeu mais um alerta: como lidar com pessoas em situação de rua, que muitas vezes sequer sabem da doença? Autoridades de diversos países começam a se mobilizar para enfrentar a questão, que acabou evidenciando dois lados. O primeiro, é dar condições para que estas pessoas deixem as ruas. O segundo, é convencê-las. Em Londres, capital do Reino Unido, há hoteis que estão abrindo suas portas para ajudar a receber esta população.

Vice-presidente do Centro Espírita Ismênia de Jesus, em Santos, Fernando Cláudio Soane faz um raio-X preocupante: “Só aqui eu tenho 6 mil moradores de rua cadastrados. Este número é itinerante, de pessoas que vêm e vão. Mas, estimo que haja por volta de 4 mil pessoas nessa situação em Santos”. 

Questionada, a prefeitura diz que vai fazer, ainda este ano, um novo censo, em parceria com a Universidade Federal de São Paulo (Unifesp), para dimensionar a quantidade de pessoas nessa situação no município. 

Enquanto isso, o local, que faz distribuição de marmitas há mais de 80 anos, está adotando algumas medidas. Agora, não é mais possível comer no local, só é feita a retirada. A distribuição, inclusive, necessita de doações de arroz, feijão, macarrão e salsicha, além de itens de higiene pessoal, como absorventes e papel higiênico. 

Em tempos de coronavírus, toda a Baixada Santista precisou mudar hábitos. Em Santos, os horários de refeições foram ampliados nos abrigos municipais, para evitar aglomeração. Além disso, quando as pessoas em situação de rua vão lá, os profissionais aproveitam para orientá-los.

Para as pessoas em situação de rua que permanecem nas vias, a orientação é procurar o Centro de Referência Especializado para População em Situação de Rua, o Centro POP, que fica na Rua Amador Bueno, 446, no Centro. Lá, as pessoas serão orientadas quanto às medidas de higiene, limpeza contra o coronavírus e também serão feitos os encaminhamentos necessários, caso haja suspeita da Covid-19. 

Cubatão, que possui 36 moradores em situação de rua, segundo a prefeitura, ainda tem vagas em dois locais: a Casa de Emaús e Casa do Remoço. Há um espaço de quarentena, separado, para os recém-acolhidos, além de ser distribuído um kit higiene individual. 

Em Mongaguá, a ideia é usar o Clube Itapoan para que essa população possa tomar banho, usando senhas em diferentes horários, para evitar aglomeração. Lá, seria dada também alimentação. Kits de higiene pessoal estão sendo montados, para distribuir nos próximos dias. 

Bertioga contabiliza 135 pessoas em situação de rua. Por lá, o trabalho vem sendo intensificado na Casa de Passagem, que opera em capacidade máxima. Itanhaém também tem um chamado Centro Pop, que ainda possui vagas para pessoas nessa situação, focando em quem é grupo de risco, acima dos 60 anos.

Peruíbe, que não tem abrigos, informou que possui cerca de 150 pessoas em situação de rua. A administração municipal disse que está fazendo abordagens diárias para minimizar os riscos da doença. 

Espaço reservado

Guarujá, que possui 270 pessoas vivendo nas ruas, segundo a prefeitura, montou um espaço dentro do Ginásio Tejereba para receber essa população emergencialmente. O local passa a funcionar 24 horas, na Rua Silvo Daige, s/nº, no Jardim Tejereba. O alojamento terá à disposição alimentação, camas, sanitários e chuveiros devidamente higienizados, conforme a demanda.

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