Na Baixada Santista, duas cidades contarão com segundo turno: Santos e Guarujá (Reprodução) Com o segundo turno definido em Santos e Guarujá, os quatro candidatos que continuam disputando as eleições na Baixada Santista devem adotar novas estratégias nesta fase da campanha. É o que avaliam especialistas ouvidos por A Tribuna. Clique aqui para seguir agora o canal de A Tribuna no WhatsApp! Para o cientista político Alcindo Gonçalves, responsável pela metodologia e Relações Institucionais do Instituto de Pesquisas A Tribuna (IPAT), a busca do apoio de candidatos derrotados, em um trabalho de convencimento, “é, talvez, o movimento mais importante das campanhas”. Mas “a transferência de votos no apoio (do concorrente derrotado) não é automática”. A cientista política e professora universitária Clara Versiani acredita que a obtenção de apoio será mais fácil em Guarujá, dadas as diferenças ideológicas entre a terceira colocada nas eleições de Santos, Telma de Souza (PT), e os dois que disputam o segundo turno, o candidato à reeleição Rogério Santos (Republicanos) e a deputada federal Rosana Valle (PL). “É pouco provável que Telma de Souza faça uma aliança com Rogério Santos, até porque, enquanto vereadora, ela fez oposição ao prefeito na Câmara. Do ponto de vista de Rogério, que tem uma candidatura de centro-direita, também é improvável, visto que seu eleitorado rejeita o chamado lulopetismo”, analisa. Em Guarujá, os candidatos que disputam o segundo turno são o ex-prefeito Farid Madi (Pode) e o vereador Raphael Vitiello (PP). De igual para igual Outra novidade que pode ser explorada pelos candidatos é a igualdade do tempo de propaganda eleitoral gratuita no segundo turno (veja destaque). “Isso significa, sem dúvidas, repensar a estratégia de campanha, mesmo para quem já tinha muito tempo de exposição no rádio e TV, considerando agora que o oponente também ganha”, diz Clara. Gonçalves, no entanto, pondera que “quantidade não é qualidade. O fato de um candidato ter um tempo muito maior não quer dizer que ele vai se beneficiar. Isso depende muito da qualidade do programa e das mensagens. É isso que pode definir a eleição”. Em um cenário como o de Santos, os eleitores que se abstiveram ou votaram em branco ou nulo podem ser decisivos para o resultado final das eleições. A Cidade teve índice de abstenção de 29,26% dos eleitores. Além disso, os votos em branco foram 2,48% do total, e os nulos, 3,79%. São quase 120 mil eleitores que os candidatos ainda podem conquistar. “Já há candidatos se direcionando diretamente para esses eleitores, pedindo o comparecimento deles no segundo turno. Ou seja, é perceptível que esse eleitorado é significativo”, diz Clara Versiani. Alcindo Gonçalves complementa dizendo que, embora significativo, o número de abstenções deve ser analisado com cuidado pelos concorrentes, devido às possíveis razões para ausência no domingo. “Há pessoas que não moram mais na Cidade ou têm mais de 70 anos e decidiram não votar, por exemplo. Por isso, é difícil fazer contas em cima de abstenções. A transferência de votos dos candidatos derrotados é algo mais palpável”, pontua. Por partido Em 2020, os nove prefeitos eleitos na Baixada Santista se distribuíam em três partidos: PSDB (com sete), Podemos e Republicanos (um cada). Agora, nas seis cidades em que a disputa está definida, há uma pulverização: dois do PSD (Cubatão e Peruíbe) e um prefeito eleito, cada, de MDB (Praia Grande), Podemos (São Vicente), Republicanos (Itanhaém) e União Brasil (Bertioga). Além do que se decidirá em Guarujá e Santos, falta resolver, juridicamente, a questão de Mongaguá, na qual o candidato mais votado, Paulo Wiazowski Filho (PP), depende de decisão judicial para ser ou não confirmado no cargo.