[[legacy_image_191112]] O caso do menino de sete anos que foi picado por uma cobra em São Vicente na última quinta-feira (7) levantou dúvidas sobre a espécie do réptil. Segundo o biólogo Thiago Malpighi, na Baixada Santista há apenas três tipos de cobras venenosas, a jararaca, jararacussu e, uma espécie de coral verdadeira, a Micrurus Corallinus. Clique, assine A Tribuna por apenas R\$ 1,90 e ganhe centenas de benefícios! Neste ano, segundo informações passadas por oito cidades da região (Cubatão não respondeu), foram registrados 55 casos de pessoas mordidas por cobras. Peruíbe foi a única cidade da região a confirmar uma morte. Em comparação ao ano anterior, as mesmas cidades registraram um total de 108 pessoas mordidas por cobras. Uma morte foi registrada em Itanhaém e a Cidade foi a com maior número de casos (39) em 2021. “Se acontecer, precisar procurar a unidade de saúde mais próxima imediatamente. Hoje as soroterapias são todas no Sistema Único de Saúde (SUS). Após o primeiro atendimento, se houver necessidade, será administrado o soro (antiofídico)”, comenta Thiago, que trabalha com o manejo de fauna silvestre em Peruíbe, incluindo serpentes venenosas. O biólogo diz que, de imediato, o local da mordida pode ser lavado e o paciente deve se manter bem hidratado, porém o atendimento médico é indispensável. “Não existe nenhuma medida caseira, receita ou procedimento que deve ser adotado”, explica. “Não fazer medidas como torniquete, sucção, incisões ou aplicação de qualquer substância. Isso tudo pode piorar o quadro. O único tratamento eficaz é a administração do soro antiofídico adequado”, conclui. DistinçãoA diferenciação das espécies presentes na Baixada Santista não é tão fácil de ser feita. Thiago reforça que não é necessário saber qual cobra mordeu para realizar o tratamento. “As manifestações clínicas, os sinais e sintomas, bem como os exames laboratoriais complementares são suficientes para uma correta identificação do tipo de acidente e classificação em leve, grave ou moderado", informa. Uma forma de distinguir se a cobra é venenosa ou não é a presença de fosseta loreal, que é são orifícios entre o olho e a narina do réptil. O biólogo conta que no Brasil todas serpentes com esse orifício são venenosas. “O animal do grupo das cobras corais tem aquelas colorações clássicas de anéis pretos, vermelhos e brancos, tendo esse padrão coralino provavelmente é uma coral. A orientação é não tentar distinguir entre a coral falsa e verdadeira”, explica. DiversidadeO biólogo explica que há diversas espécies inofensivas, como as dormideiras, cobras cipós e cobras d'água. “Encontramos as serpentes com mais frequência nas áreas periurbanas ou próximas a fragmentos florestais, mas podemos encontrar também nas partes mais urbanizadas”, diz.