No comércio, o que puxou os números para baixo em janeiro foi o varejo. Exemplo do segmento foi área de artigos do vestuário e acessórios (Sílvio Luiz) O saldo de empregos na Baixada Santista foi negativo no primeiro mês do ano, com um resultado pior que o de janeiro do ano passado, quando o número de postos de trabalho formais também tinha recuado. Dados do Cadastro Geral de Empregados e Desempregados (Caged), ligado ao Ministério do Trabalho e Emprego, apontam que a diferença entre admissões e demissões em janeiro foi de 2.236 postos de trabalho, com 14.169 contratados e 16.405 desligados. Em janeiro do ano passado, haviam sido admitidas 13.374 pessoas e demitidas 14.020. Como resultado, o encerramento de 646 vagas com carteira de trabalho assinada. A única cidade da Baixada com saldo positivo em janeiro deste ano foi Mongaguá, com 377 postos (736 admissões e 359 demissões; veja lista completa no quadro abaixo). (Fonte: Caged) POR SETOR O setor de serviços teve saldo negativo de 651 postos de trabalho. Um exemplo foram os empregos referentes ao setor de restaurantes e a outros serviços de alimentação e bebidas, com 552 vagas fechadas. No comércio, o que puxou os números para baixo em janeiro foi o varejo, com saldo negativo de 1.231. Um exemplo desse segmento foi a área de artigos do vestuário e acessórios, com 356 empregos formais fechados. DINÂMICA PRÓPRIA Em níveis nacional e estadual, janeiro foi positivo. No País, apontou-se saldo favorável de 137.303 vagas e, no Estado, 36.125. Esses resultados ficaram abaixo dos registrados em janeiro de 2024, com 173.233 postos no Brasil e 36.592 em São Paulo. “A Baixada tem uma dinâmica diferente do resto do País. O que tivemos nos últimos anos, e ainda continua muito forte, é a alta da construção civil. Isso gera empregabilidade e rotatividade de alto valor para o comércio e também para as empresas”, diz o economista Luciano Simões. Neste período do ano, Simões cita as contratações temporárias por causa do turismo — com vagas que, em parte, se fecham após a temporada. Em serviços, setor de restaurantes e outros serviços de alimentação e bebidas também ficou no vermelho (AdobeStock) INFLUÊNCIA NACIONAL “Nós também sofremos, logicamente, por adesão às altas de custos e inflação. (...) A inflação acaba trazendo ao empregador duas situações. O custo da mão de obra, que aumentou por causa do reajuste do salário mínimo, e também da inflação repassada ao consumidor final”, afirma. O economista acrescenta que o empregador, por ser empresário, vê que o ritmo de vendas pode ser menor pelo nível inflacionário. “Quem compra não tem o mesmo ritmo (de antes).” Luciano Simões entende, ainda, que a alta dos juros de um ano para o outro também contribuiu para o cenário. “Juros são o custo do dinheiro. Se a moeda está mais cara, a circulação diminui. Consequentemente, impacta no fluxo de comércio, vendas e contratação.”