Santos está na lista de cidades que podem desaparecer devido ao avanço do mar (Vanessa Rodrigues / Acervo AT) O avanço do mar já tem afetado duas cidades do litoral de São Paulo e outras correm o risco de terem sua área urbana invadida pelas ondas devido ao aumento de temperatura. Mas o maior risco está em Santos, onde praias e imóveis podem sumir, de acordo com uma pesquisa da Universidade Federal de São Paulo (Unifesp), publicada na revista 'Anthropocene Coasts'. Clique aqui para seguir agora o canal de A Tribuna no WhatsApp! A pesquisa, conduzida pela pesquisadora Aline Martinez, mapeou 245 km de estruturas artificiais na costa, incluindo quebra-mares e píeres. Essas construções, predominantemente localizadas na Baixada Santista, causam impactos ambientais, como a destruição de habitats naturais e a promoção de invasões biológicas. Além dessas estruturas artificiais, foram identificados mais de 300 km de áreas costeiras ocupadas pelo homem, em zonas vulneráveis, sendo 235 km próximos a praias e 67 km nas proximidades de manguezais. Essas áreas estão cada vez mais suscetíveis a riscos de inundações e erosão, em razão do aumento do nível do mar. Além disso, mais da metade das praias de São Paulo tem ocupações humanas a menos de 100 metros da linha de areia, o que agrava ainda mais a situação. Ilha Comprida, no Vale do Ribeira, já está enfrentando um processo acelerado de erosão que pode acontecer em outras partes do litoral. Em Peruíbe, as mudanças no nível do mar vêm transformando a restinga da vila de Barra do Una, o que tem deixado os moradores preocupados em relação ao avanço do nível do mar. Outro estudo divulgado pela plataforma Human Climate Horizons, criada por uma parceria entre o Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento (PNUD) e o Laboratório de Impacto Climático (CIL), apontou que Santos é uma das cidades que podem ter 5% ou mais do seu território submersos de forma permanente até o fim do século. A possibilidade de que o nível do mar em Santos possa aumentar 55,84 centímetros até o final deste século, segundo um relatório da Organização das Nações Unidas (ONU) em parceria com a Human Climate Horizons (HCH), é alarmante. No entanto, um programa piloto, que está previsto para ser expandido, demonstrou potencial para ajudar a mitigar esses efeitos: os geobags, que são sacos de areia submersos, os quais já estão presentes na Ponta da Praia.