A balneabilidade das praias do litoral de São Paulo tem sido um assunto em destaque. De acordo com o mapa de balneabilidade das praias da Companhia Ambiental do Estado (Cetesb) desta sexta-feira (24), das 175 praias monitoradas, 42 continuam com bandeira vermelha, indicando que estão impróprias para o banho. Mas, além da água do mar, outro elemento é monitorado: a areia. Desde 2009, a Cetesb realiza uma análise anual da qualidade sanitária da areia em praias paulistas, principalmente durante o verão. O objetivo é verificar a presença de poluição fecal e outros microrganismos que possam representar risco à saúde dos banhistas. Embora se imagine que a areia seja mais segura, estudos mostram que ela pode ser mais contaminada do que a água do mar, especialmente nas áreas secas. Durante a alta temporada, com maior fluxo de turistas, a quantidade de microrganismos na areia tende a aumentar. Contudo, com o fim do verão e a redução da quantidade de visitantes, os níveis de contaminação tendem a cair. Em 2023, por exemplo, a Cetesb monitorou 19 praias, como Enseada, em Guarujá, Grande, em Ubatuba, e do Sonho, em Itanhaém. Nelas, em parte coletas, foi detectada grande quantidade de coliformes fecais, especialmente os termotolerantes, que indicam presença de matéria orgânica proveniente de esgoto. Apesar da preocupação com a contaminação da areia, a Cetesb esclarece que não faz monitoramento regular dela, pois ainda não há normas oficiais que exijam esse tipo de análise no País. E questões técnicas, como a representatividade das amostras e a metodologia usada, ainda são debatidas internacionalmente. Estudos mostram que areia pode ser mais contaminada do que a água do mar, sobretudo em áreas secas (Alexsander Ferraz/AT) Esgoto e contaminação Outro ponto importante levantado pela Cetesb é o impacto do lançamento de esgoto não tratado nos rios, córregos e no mar. Ao chegar às praias, não contamina apenas a água, mas também a areia. Isso explica por que praias com menos urbanização, mais afastadas dos centros urbanos, costumam ter água e areia de melhor qualidade, com menos contaminação. Dessa forma, segundo a companhia, mesmo que uma praia tenha água própria para banho, não significa que a areia esteja livre de contaminação.