"A Tribuna é um patrimônio da Baixada Santista (...) Sobre o jornalismo regional, costumo dizer que é insubstituível”, afirma o presidente da ANJ, Marcelo Rech (Vanessa Rodrigues/AT) A mudança no tamanho do jornal impresso, do standard para o berliner, é um movimento já consolidado em outros veículos, do Brasil e do exterior. A novidade que A Tribuna traz a partir de hoje é sinônimo da inquietação das grandes empresas, que são referência na qualidade da comunicação. É o que pensa o presidente da Associação Nacional de Jornais (ANJ), Marcelo Rech, que concedeu entrevista. Clique aqui para seguir agora o novo canal de A Tribuna no WhatsApp! Como o senhor vê a necessidade de reinvenção dos jornais impressos, ainda mais no caso de uma marca como A Tribuna, que completa 130 anos em 2024? Vejo de forma bastante saudável uma marca tão representativa, relevante para a Baixada Santista, para o Estado de São Paulo e o País se renovar constantemente. Nenhuma organização chega a 130 anos sem ter essa inquietação permanente, constantemente auscultando o mundo, em busca da melhor forma de atender ao público. Ao fazer essa mudança, dando mais facilidade de leitura, mais maleabilidade ao jornal, seguramente A Tribuna está atendendo a essas mudanças. Outros jornais do País fizeram esse movimento também. Existe, há muitos anos, uma tendência dos jornais ficarem mais compactos, substituindo o formato que a gente chama de standard. Isso dá mais facilidade de leitura, sem que haja uma perda de conteúdo. Eu fui editor-chefe e diretor de redação, por muitos anos, de um jornal tabloide de alta credibilidade que é o Zero Hora, do Rio Grande do Sul. Não há relação entre o tamanho do jornal e a credibilidade dele. Isso, claramente, melhora muito a aceitação do público, e não há perda de conteúdo, tanto para leitores como para anunciantes. No seu entender, é uma iniciativa que consolida a força do jornalismo regional, com sua relevância, em meio a uma enxurrada de informações a que somos bombardeados todos os dias? Sobre o jornalismo regional, costumo dizer que é insubstituível. A gente tem acesso a diferentes fontes de informação sobre a eleição americana, a COP no Azerbaijão ou a guerra do Ucrânia, por exemplo. Podem ser centenas de fontes se o consumidor de informação quiser. Mas a informação local, de qualidade, com credibilidade, é muito mais rara. Essa matéria-prima é produzida por uma redação profissional, com princípios editoriais, experiência e critérios éticos, com autoavaliações constantes e relação com a comunidade. A Tribuna é um patrimônio da Baixada Santista. Nos lugares do mundo onde se viu o fechamento dos jornais, rapidamente aumentou o desperdício de recursos públicos e a cidade ou região perdeu relevância e força. Como lidar com um ambiente de informação em que as fake news ainda encontram um grupo consumidor? As últimas eleições municipais foram um bom teste para a força do jornalismo profissional? Estamos vendo um recuo da desinformação. A sociedade se deu conta de que muitas pessoas eram utilizadas como instrumento de poder, para repassar ou compartilhar coisas absurdas ou falsas. Os jovens estão muito mais atentos para não ser parte de uma corrente de desinformação. E, numa eleição municipal, ninguém vai combater a desinformação se não for o veículo local. Esse processo de valorização da informação passa, também, pela formação dos novos profissionais. Que características fundamentais eles devem ter? Temos que assumir um papel de certificadores da realidade. Não se trata mais, apenas, de apurar informações e divulgá-las, entrevistar alguém, buscar um dado. Mas passamos a ser certificadores. Portanto, cabe ao jornal e ao jornalista mergulhar nos dados, verificar se aquela informação sobre dívida pública está correta. E como absorver novos leitores, especialmente os jovens? A pauta tem que estar mais próxima da vida real. Capturar os assuntos que vão ser abordados, cada vez mais de acordo com os interesses da sociedade. Do que, de fato, preocupa as pessoas. Isso exige sempre uma atenção permanente. Como o senhor analisa a questão da educação midiática? Eu acho fundamental. É parte do processo de formação do cidadão. Saber distinguir o que é uma opinião de um colunista, o editorial, do que é a reportagem. Também identificar os sinais de que aquilo é uma desinformação. Como o senhor imagina o jornalismo daqui a dez anos, por exemplo? O jornal é também impresso, mas uma usina de informação, por meio de debates e eventos. Então eu acredito que o jornal será, cada vez mais, essa usina informativa de 360 graus, que vai atuar de acordo com as necessidades do público.