[[legacy_image_101293]] Olhar para o outro com carinho, atenção e paciência, sem julgamentos, pode salvar a vida de alguém. Não tenha vergonha de chamar uma pessoa que não está bem para conversar e dizer que está ali com ela. Neste Setembro Amarelo, mês dedicado à prevenção ao suicídio, saiba que você pode fazer a sua parte. Ao ver alguém que não está bem, segundo Melo, há duas opções: pensar que é cada um com seus problemas ou falar com a pessoa e dizer que está ali caso ela queira conversar. “Vivemos num mundo com muitos falantes e poucos que querem ouvir. E isso faz toda a diferença. Essa mudança no nosso próprio comportamento é capaz de salvar vidas.” A psicóloga clínica Janaina Hazarian explica que o tema ainda é um tabu na sociedade, mas poder falar sobre o assunto é uma maneira de prevenção. “É importante levar informação de forma adequada para que as pessoas entendam e possam reconhecer essa condição. Muitos têm intenções suicidas e não revelam. Ao longo do tempo, isso vai se tornando algo muito frequente, e começam as tentativas.” A especialista diz que o fenômeno envolve diversos fatores, mas, em todos eles, a atenção primária faz a diferença nas estatísticas. “Muitos dizem que quem fala que quer se matar não vai cometer suicídio. Isso é mito. As pessoas mandam sinais.” Janaina recomenda que se procure ajuda médica o quanto antes, sem aguardar até que a pessoa consiga, sozinha, superar aquele momento. “Vivemos a pandemia dos transtornos emocionais, com várias condições que estavam latentes e que os tempos atuais tornaram um gatilho para se manifestarem.” O psicólogo clínico e professor de Psicologia da Universidade Metropolitana de Santos (Unimes), Sérgio Marques Jabur, diz que o suicídio é um ato para tentar diminuir o sofrimento, não uma busca pela morte. “As pessoas se espantam com alguém que estava sempre feliz, presente em eventos e nas redes sociais, mas isso é algo muito íntimo. Falar sobre a própria morte é muito pesado para algumas pessoas. É como se ferisse a moral da nossa sociedade, fosse um pecado. Então, se deixa encoberto aquele desejo.” Jabur, também doutor em Ciências pela Universidade Federal de São Paulo (Unifesp) afirma ser fundamental acompanhar as pessoas que amamos e com quem convivemos. O que se joga na internet, se vê na televisão, se posta nas redes sociais? Mais jovensChama a atenção o maior número de suicídios entre jovens de 10 a 14 anos nos últimos anos, alerta Jabur. “É a geração dos anos 2000, do wi-fi, da baixa tolerância às frustrações, que acha que as respostas vêm rápido e não lida com o sofrimento. Só que, quanto mais falamos disso, mais a palavra se desgasta, e o sofrimento também. É assim que se percebe que esse sofrimento não é uma condição só sua. Suicídio é a manifestação de um sujeito que sofre.” AtuaçãoDos 57 anos de idade de Renato Melo, 38 são de voluntariado no Centro de Valorização da Vida (CVV), Hoje, são 4 mil voluntários de todo o Brasil na entidade que está às vésperas de completar 60 anos. “A gente gosta muito do que faz. Estamos disponíveis para as pessoas nos chamarem para conversar. Enquanto a percepção faz o outro se sentir acolhido, a indiferença é muito cruel e aumenta o sofrimento.”