Segundo tipo mais comum nas crianças, o câncer no cérebro nem sempre dá sinais no início (Freepik) A morte da atriz Millena Brandão, aos 11 anos, chamou atenção na semana passada. Uma menina aparentemente saudável, ativa na TV e redes sociais, diagnosticada subitamente com um tumor cerebral de 5 centímetros, que evoluiu para 12 paradas cardiorrespiratórias e morte encefálica em menos de uma semana. Mas afinal, como isso pode acontecer tão rápido? Existe prevenção? Quais os sinais de alerta? Clique aqui para seguir agora o canal de A Tribuna no WhatsApp! O neurocientista Fabiano Agrela, da Society for Neuroscience dos EUA e doutor em Neurociências com pesquisas em genética e cognição, esclarece os principais pontos. “Tumores cerebrais em crianças não são raros. Eles representam o segundo tipo de câncer mais comum na infância, atrás apenas das leucemias. E o mais preocupante: eles nem sempre dão sinais evidentes no início”, explica o especialista. Diferentemente dos tumores em adultos, que costumam ter causas associadas a fatores ambientais ou hábitos de vida, nos casos infantis a causa geralmente está relacionada a alterações genéticas espontâneas, ocorridas ainda durante o desenvolvimento fetal. “Alguns tumores se formam a partir de células do sistema nervoso central que deveriam parar de se multiplicar, mas não param. É um erro genético que a medicina ainda estuda”, esclarece Fabiano. Segundo o especialista, dores de cabeça persistentes e progressivas são um dos principais sinais de alerta. Mas nem toda dor de cabeça é sintoma de tumor, e isso também precisa ser dito com clareza. “No caso da Millena, a mãe relatou que tudo começou com uma dor de cabeça intensa. Isso pode passar despercebido. Mas quando se associa à piora clínica rápida, o alerta precisa soar alto”, destaca. Tumores cerebrais podem ser classificados entre de crescimento lento (benignos) e de crescimento acelerado (malignos ou agressivos). Em crianças e adolescentes, especialmente entre os 5 e 14 anos, alguns tipos podem crescer em poucos dias. “Quando um tumor exerce pressão sobre regiões vitais, como o tronco encefálico, ele pode desencadear crises de pressão intracraniana, comprometer centros respiratórios e cardíacos. Isso explica as múltiplas paradas cardiorrespiratórias no caso da atriz”, explica. A maioria dos tumores cerebrais em crianças não pode ser prevenida. O que pode ser feito é a detecção precoce. “Ao menor sinal de sintomas persistentes que afetam o comportamento, o sono ou a consciência da criança, exames de imagem como a ressonância magnética devem ser considerados.”