[[legacy_image_273220]] Ubu Rei, de Alfred Jarry, mais recente produção do grupo Os Geraldos, de Campinas, em mais uma parceria com o premiado diretor mineiro Gabriel Villela, fará única apresentação no Teatro do Sesc Santos neste sábado (10), às 20 horas. Clique, assine A Tribuna por apenas R\$ 1,90 e ganhe centenas de benefícios! O espetáculo acaba de encerrar uma temporada de dois meses no Teatro Anchieta (Sesc Consolação), um dos espaços culturais mais importantes de São Paulo, com ingressos esgotados em 21 sessões, e agora segue pelo interior paulista - mais de 8 mil pessoas já assistiram à peça. Com tradução de Bárbara e Gregório Duvivier e adaptação do grupo e do diretor, a peça - um clássico do teatro ocidental, marco de ruptura e transgressão no século 19 - revela-se mais contemporânea do que nunca, ao fazer uma sátira do Brasil atual. No elenco está Valéria Aguiar, nascida em Santos e atriz do grupo desde 2018. O espetáculo marca o segundo encontro do diretor Gabriel Villela com o grupo Os Geraldos. A primeira parceria resultou no espetáculo Cordel do Amor sem Fim - ou A Flor do Chico, de Claudia Barral, que tem circulado por importantes circuitos teatrais brasileiros. Raízes culturaisO teatro popular é o território que liga o grupo ao diretor, que, com uma estética vinculada às raízes culturais do Brasil profundo, trabalha na criação de pontes de sentido entre os clássicos e o contexto do espectador. Ubu Rei faz uma sátira do poder obtido por usur-pação e exercido com tirania, ao apresentar Pai e Mãe Ubu, um casal entregue à barbárie que invade a Polônia e, assassinando o rei, assume o seu trono. Considerado por dadaístas e surrealistas como precursor desses movimentos, assim como do teatro do absurdo e da performance, Jarry oferece o material dramático de que Villela e o grupo Os Geraldos precisam para responder, com beleza e humor ácido e inteligente ao autoritarismo e vulgaridade. Responsável pela produção do projeto, o grupo campineiro Os Geraldos, que completa 15 anos em 2023, contou com nomes relevantes do cenário nacional das artes cênicas, como o diretor Gabriel Villela, o assistente de direção Ivan Andrade, os preparadores vocais Babaya Morais e Everton Gennari, dentre mais de 30 pessoas, que estão diretamente envolvidas na produção do espetáculo, com 14 atores no elenco. Atualidade no palcoMesmo se tratando de um texto escrito no final do século 19, o texto de Ubu Rei fala muito sobre os dias atuais. Para transpor a nova versão para a obra de Alfred Jarry, Os Geraldos e Gabriel Villela optaram por fazer uso da estética e da música para deixar ainda mais evidente o surrealismo da linguagem. A ideia é provocar no espectador uma sensação de vertigem, sair do prumo, balançar o extremismo posto em cena, fazer o espectador embarcar num delírio tropical, universal sobre os extremismos postos. MúsicaEntre as coisas que unem o grupo paulista e o diretor mineiro é o modo de usar a música para contar a história. São 18 canções (entre íntegras, versos, pedaços, melodias etc), interpretadas ao vivo pelos atores - com acompanhamento do maestro Everton Gennari, responsável pela direção musical (com Babaya Morais), ao piano. E uma inusitada homenagem à Miriam Batucada, com os artistas tocando caixa de fósforo. São músicas do cancioneiro popular brasileiro e latino-americano - como Geraldo Vandré, Raul Seixas, Inezita Barroso, entre outros compositores. As canções são elementos da dramaturgia, servindo tanto como prólogo até para juntar cenas e atos, ou mesmo para levar as cenas para outro lugar. Para a versão desse clássico, o cenário e os figurinos trazem muito brilho, cores quentes, quase uma estética de cabaret, numa referência ao programa do Chacrinha. O figurino traz diversas referências, com elementos do Japão, da África, porém misturado com estilos que remetem ao brega, trajes de festa envelhecidos, datados, desatualizados, com cortes desiguais, que mostram a decadência daquela sociedade posta em cena. Serviço: Ubu ReiData: sábado, às 20 horasLocal: Teatro Sesc Santos (R. Conselheiro Ribas, 136 - Aparecida, Santos - SP). Ingressos: R\$30,00 (inteira), R\$15,00 (meia) e R\$10,00 (Credencial plena do Sesc) , no site e no app Credencial Sesc. Classificação indicativa: 18 anos