[[legacy_image_172219]] Mesmo quem nunca teve a menor familiaridade com o rock – talvez até vovô e vovó – reconhece o Kiss por conta da maquiagem e das fantasias. Ao longo de cinco décadas, 24 álbuns de estúdio e “zilhões” de discos vendidos, os mascarados ostentam uma insuspeita folha de ótimos serviços prestados ao bom e velho rock’n’roll, tendo se apresentado no Brasil inúmeras vezes. Clique, assine A Tribuna por apenas R\$ 1,90 e ganhe centenas de benefícios! Agora, de acordo com os fundadores (em Nova Iorque, em 1973) e únicos remanescentes da formação original, Gene Simmons (o baixista “linguarudo”) e Paul Stanley (vocais, guitarra), chegou a hora de dizer adeus. Batizada apropriadamente de End of The Road (“fim da estrada”), a atual turnê, assinada no Brasil pela Mercury Concerts, já passou por Porto Alegre, na terça, e Curitiba, ontem, em shows reagendados por conta da pandemia. E se encerra neste domingo em Ribeirão Preto, no Interior Paulista. Na Capital, neste sábado (30), o palco será o Allianz Parque, com ingressos praticamente esgotados – alguns lotes ainda são aleatoriamente colocados à venda pela produção. Há quem duvide desse adeus, já que, além de prolíficos hitmakers – Love Gun, I Was Made For Lovin’ You, Rock and Roll All Nite, I Love It Loud, Detroit Rock City e um caminhão de outros que prometem não deixar ninguém parado no Allianz –, a dupla em comando tem tino comercial afiado, licenciando de camisinhas a caixões, e tudo o que cabe entre esses dois extremos, levando o nome do grupo. Por outro lado, por motivos diversos (incluindo a conta por excessos chegando), muitos de seus contemporâneos – Jethro Tull, Rush, Motorhead, Genesis, Black Sabbath – têm pendurado as chuteiras. E se os Rolling Stones resistiram ao golpe da morte do baterista Charlie Watts em 2021, sobre uma das maiores bandas do mundo na atualidade, o Foo Fighters, paira uma nuvem negativa, após a recente morte do baterista Taylor Hawkins. Sob essa perspectiva, talvez seja mesmo a hora certa de parar, senão no auge, mas também não tão longe dele assim. Porque, ao vivo, o Kiss literalmente não nega fogo: muito além da milionária produção de palco como nenhuma outra na música, das explosões e labaredas, o hard rock é genuíno, cru, simples, básico e dançante. E envolvente até mesmo nos clichês (solo de bateria, de guitarra etc.). Não por coincidência, sua música atravessa gerações, fazendo das apresentações da banda umas das mais familiares e rock friendly do universo roqueiro. Grande parte dessa trajetória está em KISStory, documentário oficial (sem ser chapa branca) de quatro horas dividido em duas partes e lançado o ano passado. Narrado pelos próprios músicos, o roteiro mostra o início, a chegada do sucesso, o auge, as brigas internas, a queda na década de 1990 e a ressurreição do grupo como ícone do rock. Em tempo: reza a lenda, nunca provada, que a inspiração da maquiagem do Kiss teria vindo de Ney Matogrosso e sua turma, os Secos & Molhados, em 1971, quando um futuro empresário do grupo teria passado pelo Brasil. Uma das incontáveis fábulas do rock. Serviço: Kiss, End of the Road World Tour. Av. Francisco Matarazzo, 1.705, Água Branca, São Paulo. obrigatória a apresentação de comprovante de vacinação.