[[legacy_image_272772]] Ao entrelaçar histórias que marcam quase 100 anos de enlutamento não humanizado de grande parte da população brasileira, o espetáculo teatral Quando Mataram Os Meus, interpretado por Maria Sil e dirigido por Miriam Vieira - que juntas assinam a dramaturgia -, traz ao palco uma reflexão poética sobre o racismo estrutural, a desigualdade social e a incessante busca por justiça destas famílias e comunidades, em sua maioria periféricas. Clique, assine A Tribuna por apenas R\$ 1,90 e ganhe centenas de benefícios! O monólogo estreia em Santos no próximo fim de semana, com sessões sábado e domingo, às 20h no Teatro de Arena Rosinha Mastrângelo (Av. Senador Pinheiro Machado, 48, Vila Mathias). Em seguida, faz temporada nas cidades de Cubatão - dias 16 e 17 de junho, no Teatro do Kaos - e São Vicente - dias 24 e 25 de junho, no espaço Equipe Plataforma. Todas as apresentações são gratuitas, mediante retirada de ingressos uma hora antes da sessão, nos respectivos locais, todos com 60 lugares. A classificação etária é 16 anos. Após cada apresentação, haverá um bate-papo do público com a atriz e a diretora. O ponto de partida da montagem remete às comunidades ribeirinhas brasileiras da década de 1930. Ao lembrar que, na época, os velórios ocorriam nas próprias casas, a atriz recria uma de suas primeiras memórias afetivas - a relação com a própria avó, lavradora rural, empregada doméstica e vendedora de temperos e bananas. “Ela contava que na comunidade em que morava, sempre que alguém estava para morrer, outra pessoa avistava a morte sobre as águas. Dizia que a morte vinha de canoa, pelas águas do Rio Ribeira”, resume. Dentre os temas trazidos à cena pela obra, o olhar sobre as mortes por covid-19, em especial da população negra, assume um papel central. Para tanto, Maria Sil, uma travesti branca, reflete sobre a perda da mãe, Vani dos Santos, mulher preta, vítima da pandemia. Ao tentar compreender o próprio luto a partir de uma estrutura de racismo que não era discutida dentro de casa, pelo privilégio de sua pele, ela revive uma situação que se repete em milhares de lares miscigenados brasileiros. “Maria Sil é uma contadora de histórias que se relaciona a partir de um retrato de luto profundo, particular, mas que se revela universal. O simbolismo das perdas de um período como o da covid-19, por exemplo, é imenso: os pretos e pardos, maioria no País, também foram maioria nas mortes pela doença”, diz Miriam Vieira. A diretora do espetáculo, por sinal, também tem um momento de sua trajetória pessoal resgatado em cena: a perda de um irmão em circunstâncias não esclarecidas, durante a ditadura militar. Tempos depois, ela descobriria sua ligação com o movimento estudantil. O espetáculo se desenvolve em três estações cênicas, ilustradas por painéis que trazem referências à ancestralidade, ao enxergar a si próprio e a uma estação hospitalar. Cada um deles serve à narrativa interpretada por Maria Sil, que busca a transversalidade não só entre o ficcional e o documental, mas também entre o teatro e a música, apresentando três canções autorais no palco. A montagem conta com a direção musical do DJ Cuco. Assim, ainda que tenha o luto como fio condutor, Quando Mataram Os Meus revela-se também um manifesto em favor da esperança, da dignidade, do amor em sua mais pura personificação e da vida em sua plenitude. “Somos a força de uma água que escorre, e carrega laços, amores, famílias, ancestralidade. Aqui tem arte. Aqui tem justiça”, reafirma o texto do espetáculo. Santos 10 e 11 de junho (sábado e domingo), 20hLocal: Teatro de Arena Rosinha Mastrângelo ( Av. Senador Pinheiro Machado, 48, Vila Mathias). Retirada de ingressos com uma hora de antecedência. Cubatão 16 e 17 de junho (sexta-feira e sábado), 20h Local: Teatro do Kaos (Praça Joaquim Montenegro, 34, Sítio Cafezal). São Vicente 24 e 25 de junho (sábado e domingo), 20h Local: Equipe Plataforma(Rua Vereador Diego Pires de Campos, 121, Vila São Jorge).