[[legacy_image_355807]] O terror surge das sombras. Ou, ao menos, uma boa história. Seja como for, ninguém sairá sem o seu quinhão – de terror ou história – do passeio inspirado no livro Contos de Terror e Lendas Macabras da Ilha de Santos, do escritor e cineasta Dino Menezes, que conduzirá a caminhada pelas ruas assombradas do Centro de Santos, neste sábado (11). Clique aqui para seguir agora o novo canal de A Tribuna no WhatsApp! “Santos é mais assombrada – assim como Paranapiacaba, Ouro Preto. É uma cidade com 478 anos, há lendas de vários tipos e tempos, desde a invasão de piratas, no século 16. É um lugar carregado de mitos”, analisa Dino. A saída será às 18h30 da Estação do Valongo (Rua Marquês de Monte Alegre, 2, Valongo). O trajeto inclui paradas em pontos-chave, palcos de mistérios e lendas que Dino se encarrega de contar aos incautos, quer dizer, participantes. Se as histórias irão arrancar apenas um riso blasé ou mortificar de pavor, ficará por conta e risco dos nervos de cada um. Vamos a algumas delas? A primeira, que se desenrola no cais antigo do Valongo, entre os armazéns 1 e 8, é o caso da italiana Maria Féa, conhecido como o crime da mala, que chocou a sociedade santista no final da década de 1920. O imigrante italiano Giuseppe Pistone matou a mulher, Maria Féa, seccionou seu corpo, colocou-o em uma mala e a despachou ao Porto para ser enviada à França. No cais, a mala abriu, revelando seu conteúdo macabro, que incluía um feto com aproximadamente seis meses de gestação. “Uma mulher grávida foi vista várias vezes perambulando pelo Porto. Na última vez, ela desapareceu”, relata Dino. As partes do corpo de Maria Féa foram enterradas no Cemitério do Saboó. “Ela é considerada milagreira pela população”. [[legacy_image_355808]] Mais mistériosA história de uma auxiliar de limpeza do Pantheon dos Andradas, que na década de 1980 manteve várias conversas com um senhor simpático, ainda que vestido de jeito estranho, também está no roteiro. “Quando ela descobriu que era José Bonifácio, enlouqueceu”. Ou, ainda, a história do locutor do Teatro Municipal Braz Cubas. Não estranhe, leitor: sim, o roteiro se restringe ao Centro, mas quando a jornada chega à Prefeitura, as histórias, como as sombras, se debruçam por toda a Cidade. Inaugurado em 1979, em estilo moderno, o Teatro é pródigo em relatos sobrenaturais. O fantasma do locutor é recente, com a primeira aparição registrada em 1993. Era uma manhã de inverno, no palco estavam montando o cenário para um espetáculo infantil no dia seguinte. Uma funcionária da copa, ao passar pelo palco e perguntar se queriam café, viu um homem magro, calvo, de meia-idade, bem vestido, acomodado na plateia. Ela foi à copa e preparou três cafés. Quando os dois técnicos chegaram, ela perguntou se o senhor que estava com eles não viria. Eles franziram o cenho: não havia ninguém com eles. Tempos depois, ao entrar no Museu da Imagem e do Som, que fica no mesmo complexo do teatro, a mulher observou na parede a foto do homem que ela vira não só aquela vez, mas em outras ocasiões, sempre no teatro, assistindo a espetáculos. “Ela ficou imóvel, pálida, até que a ajudaram a voltar a si”, relata Dino. Casal some em fumaçaA próxima história ocorreu no antigo Atlântico Hotel, no início da década de 1940. Um jovem casal, filhos de cafeicultores, chegou do Interior para se hospedar por uns dias. Nem bem os dois se instalaram no quarto, foram direto para o cassino do hotel – onde hoje é uma academia de ginástica. Após algumas horas, perderam tudo nas mesas de jogo. Voltaram ao quarto. De madrugada, funcionários do hotel foram chamados pelos hóspedes vizinhos, assustados ao testemunharem uma fumaça branca saindo por debaixo da porta do quarto do casal. Os funcionários chamaram, mas ninguém respondeu. Ao arrombarem a porta, apenas suas roupas estavam no quarto: o casal havia sumido e nunca mais foi encontrado. “Não duvido de nada”, diz Dino. “No passeio, as pessoas vão experimentar essa sensação do mágico”. Esse é o quarto Passeio Assombrado, o primeiro apenas com Dino Menezes, que pretende transformá-lo em um roteiro fixo, mensal. Ele é gratuito, mas é necessário retirar ingressos antecipados em www.sympla.com.br.