[[legacy_image_309221]] Cartunista, jornalista, dramaturga, poeta, tradutora, crítica literária e multiartista, Patrícia Rehder Galvão, ou simplesmente Pagu, será a grande homenageada da 21ª edição da tradicional Feira Literária Internacional de Paraty, a Flip, que começa dia 22 e segue até dia 26. A organização do evento divulgou esta semana a programação completa da feira, que terá eventos abertos e gratuitos, e painéis de debates com temas ligados à temática da feira. Os ingressos para os eventos fechados já estão à venda. Pagu nasceu em 1910, em São João da Boa Vista, Interior de São Paulo, e morreu em 1962, aos 52 anos, em Santos. Foi jornalista e colunista de A Tribuna de 1957 até pouco antes de sua morte. Atuou nos movimentos feminista, vanguardista e antifascista. O ativismo da autora e a dedicação à causa proletária, junto ao Partido Comunista Brasileiro (PCB), renderam diversas passagens pela prisão, um trauma que deixou cicatrizes em seu estado psíquico. Pagu publicou o romance Parque Industrial sob o pseudônimo Mara Lobo, o mesmo que usava para assinar suas colunas em A Tribuna. A obra é considerada o primeiro romance proletário brasileiro. Pagu foi autora de diversas outras publicações, resenhas, desenhos, peças de teatro, croquis e textos políticos. ProgramaçãoO programa da Flip começa às 19 horas do dia 22, com a mesa A Mulher do Povo, conduzida por David Jackson e Adriana Armony, e segue com 19 outras mesas temáticas e artistas variados até 10 horas de 26 de novembro. Há ainda uma programação educativa paralela, como lançamento de livros. Para as mesas da programação principal, é preciso comprar ingresso, já disponível no site www.flip.com.br. Os valores são R\$ 130,00 (inteira) e R\$ 65,00 (meia). “A homenagem joga luz à obra de Pagu, uma autora que representa a nossa esperança frente à mudança. A escritora nos inspira à emancipação, por meio de sua busca pela arte revolucionária e pela revolução nos costumes, com a defesa de vida mais digna para as mulheres e as pessoas mais pobres do nosso país. Ela também nos lembra que a palavra pode ser ameaça para os desmandos, uma vez que ela própria foi vítima de muitos cerceamentos”, diz Fernanda Bastos, curadora da feira. “Tudo o que Pagu produziu e realizou representa, de alguma forma, três forças que ainda carecem de longas batalhas: valorização das mulheres, compreensão deste Brasil ainda a ser revelado e desobrigação da arte corresponder a quaisquer limites e barreiras. Na trajetória de Pagu, lutas sociais e políticas, sonhos de liberdade e de justiça se colam ao apelo incessante pela liberdade das mulheres. Essa artista imensa merece ser revisitada tanto pela força estética de suas produções artísticas quanto pelo que sua vida representa neste instante de lutas coletivas em todo o mundo”, acrescente Milena Britto, também curadora. A cada sexta-feira, a partir do próximo dia 10, até a semana da Flip, A Tribuna republicará artigos de Pagu que figuraram no jornal nas décadas de 1950 e 1960.