[[legacy_image_275715]] Os atores Paulo Miklos e Tamirys O’hanna serão homenageados na abertura do 9º Santos Film Fest – Festival de Cinema de Santos, realizado pelo Instituto Cinezen Cultural, que acontece desta terça-feira (20) até dia 28. Clique, assine A Tribuna por apenas R\$ 1,90 e ganhe centenas de benefícios! A cerimônia de abertura será no Cine Roxy (Av. Ana Costa, 443, Gonzaga), a partir das 19h de hoje, terá lançamentos de livros, entrevistas de artistas e exposição 25x50: De Regan a Josué, que reunirá cartazes feitos por artistas e designers de várias partes do Brasil. Às 20h, tem início a cerimônia quando Toninho Campos, do Cine Roxy, receberá a medalha Braz Cubas por sua contribuição à cultura santista e Paulo e Tamirys serão homenageados. Também, o Coral Municipal de Santos, com regência de Nailse Machado e regência adjunta de Fernando Pompeu, mais 40 cantores e o pianista Bruno Felix, farão um show celebrando os 100 anos da Disney. Haverá participação do Quarteto Martins Fontes na apresentação. Depois da parte musical, será exibido o longa-metragem O Homem Cordial, que tem Miklos e Tamirys no elenco. Para a programação dentro da sala será preciso retirar o ingresso gratuito a partir das 18h ao lado do Cine Café do Roxy. Mostras competitivasAs mostras nacionais de longas e curtas de ficção e documentário acontecerão no auditório do Sesc Santos (Rua Conselheiro Ribas, 136), entre amanhã e domingo. Serão cerca de dez longas e dez curtas de várias partes do Brasil, que dão um panorama do cinema brasileiro contemporâneo e trazem temas diversos como representatividade negra, indígena, LGBTQIAP+, cidadania, em tramas que vão da ficção ao documentário. Os melhores filmes e diretores receberão o prêmio do júri e também premiação de voto popular. As sessões acontecem no auditório do Sesc, de quarta a domingo, sendo que durante a semana as exibições são às 17h30 e às 19h30 e, no fim de semana, às 15h e 17. Será preciso retirar o ingresso gratuitodisponibilizado uma hora antes do horário de cada sessão. A Mostra Humanidades, que tem filmes brasileiros e estrangeiros (França, Marrocos, Líbano etc.) acontece no Cine Arte Posto 4 (jardim da praia do Boqueirão), entre quarta e o dia 28, com sessões às 16h, 18h30 e 21h. A mostra de curtas de animação se espalhará pelas sessões infantis em Caruara, morros, praças e escolas. Já a mostra de terror acontecerá na Cinemateca de Santos (R. Ministro Xavier de Toledo, 42). Mais informações e a programação completa no site. Entrevista Tamirys O’hanna, artista homenageada [[legacy_image_275716]] Qual a sensação de ser homenageada em um festival na sua região? Fico muito feliz e honrada com essa possibilidade, pois foi na Baixada Santista onde eu cresci e construí meus valores e desejos de alcançar um novo futuro para mim. Ser caiçara, nativa de Cubatão, é um presente. Eu que herdei dos manguezais e das áreas litorâneas minha criatividade artística e filosófica para ganhar o mundo. Faço aqui uma feliz comparação com Zeca Pagodinho: ‘Eu posso sair de Xerém, mas Xerém nunca sai de mim e é para lá que volto sempre’. Essa é minha relação de amor pela Baixada Santista. Qual a importância de eventos como este? Um festival com a história e a bagagem do Santos Film Fest precisa existir sempre como veículo epistemológi-co de encontro, de troca, de referência, de memória, de criatividade. É o audiovisual caiçara sendo apreciado e valorizado nos segmentos de quem realiza e de quem consome. Imagina sua comunidade vendo um filme do cria num telão de cinema?! Imagina! Isso é importante e é o que o festival propõe. Quais seus projetos profissionais para este ano? Estou em cartaz com a peça Coisa que Você Pode Dizer em Voz Alta, no Teatro Paulo Eiró, na Zona Sul de São Paulo (quarta às 21h; quinta, às 16h e 21h, com entrada gratuita), e tem ainda o espetáculo NGO - O Silêncio que Antecede o Revide, no Sesc Bom Retiro, também em São Paulo (sexta e sábado, às 20h; e domingo, às 18h, até o dia 25). Quais são os principais desafios para fazer arte no Brasil, ainda mais para uma mulher periférica e preta? Bom, eu peço licença ao espaço que me cabe por ter experienciado quase a vida toda as maravilhas e as feridas da mulher preta em um Brasil que odeia mulheres pretas. Parto do pressuposto que tudo se trata de raça, gênero e classe, necessariamente nessa ordem! Mas precisaríamos ir bem mais a fundo nessa questão. O importante estamos fazendo, a passos ainda tímidos, mas a visibilidade, qualidade de vida material e psíquica, equidade salarial, direito à saúde e à moradia etc. Gestar todas as possibilidades que cito acima precisa ser a meta de muitas gerações. E essa construção está integrada à arte que faço parte, mas também das múltiplas artes, do cinema, da música etc. Que as variadas formas de arte possam ser veículos para muitos imaginários possíveis para mulheres pretas. Acha que estamos avançando na diversidade tanto nas produções para cinema como para streaming e TV? Eu creio! Mas tudo depende apenas de nós, da nossa autoeducação, do nosso olhar crítico e afetivo sobre o que nos cerca, e o que somos. a multiplicidade e diversidade existe em nos. Somos muitos universos e que cabem em muitas existências possíveis.