[[legacy_image_306982]] A expressão da alma humana. Eis a essência do que o visitante irá encontrar na mostra Nascer É Muito Comprido, do artista visual Carlos Zibel, aberta ao público a partir desta sexta-feira (27), na Pinacoteca Benedicto Calixto (Av. Bartolomeu de Gusmão, 15, Boqueirão, em Santos). A exposição, a última do projeto Arte na Pinacoteca este ano, terá nesta quinta (26) coquetel de abertura para convidados. Clique aqui para seguir agora o novo canal de A Tribuna no WhatsApp! Arquiteto e designer, além de artista visual, aos 79 anos, Zibel tem uma obra de matiz variado, com tentáculos que se alongam além da pintura. Tanto que evita se definir como artista plástico, preferindo o epíteto de artista visual. “Sempre encontro dificuldade em falar sobre a obra. Meu trabalho é essencialmente visual. E o título (da mostra) é interessante, pois é uma retrospectiva, que contempla sete fases”, afirma. Fases que foi conquistando ao longo do tempo e da experiência. A pintura, por exemplo, objetivo longínquo, começou a ser incorporada ao seu trabalho nos anos 1990, depois de passar por gravura e desenho. Aliás, a própria Arquitetura foi uma passagem quase que obrigatória rumo às artes, na sua geração. “Quando a gente era jovem, não havia escola de artes, mas cursos de artes plásticas. Muita gente foi para a Arquitetura para se desenvolver na arte”, resume. Arte e culturaEmbora não tenha dúvida de que a arte seja a expressão da alma do artista – “é uma coisa que invade, nos apaixona e faz amar” –, Zibel afirma que materialidade está fadada a ser reflexo da cultura de um determinado tempo e lugar. “É impossível compreendê-la fora desse contexto cultural”. Nesse sentido, a arte de boa parte do século 20 só pode ser entendida à luz da sociedade de massas e do consumo. Sob esse cenário pós-moderno nasceu, por exemplo, a chamada pop art, com raízes nos Estados Unidos, em que os objetos do cotidiano são ressignificados e assumem o protagonismo material da nova arte. “Os valores estéticos em que a cultura é fundamental. Jamais Warhol faria sucesso numa sociedade não industrializada, a alguém que nunca entrou em um supermercado, viu as gôndolas, a sopa na prateleira”, analisa, citando a obra que é o ícone da pop art, a coleção de 32 latas da sopa Campbell, reproduzidas em serigrafia, do artista Andy Warhol. Zibel analisa esses movimentos da arte no espírito do tempo no livro Além das Formas - Introdução ao Pensamento Contemporâneo no Design, nas Artes e na Arquitetura, de 2008. Atualmente, tem um segundo livro em produção, que de ve ser lançado até o final do ano, em que traça um paralelo entre o clima reinante à época da Semana de Arte Moderna, em 1922, e a cena contemporânea. Os movimentos de oposição, então e hoje, são parecidos, segundo analisa Zibel. Mas não será essa uma característica intrínseca das sociedades, em todas as épocas? “O movimento de oposição sempre sustenta o ir em frente. As oposições fazem parte da alma”. A arte salvaA descoberta do fogo ajudou a aquecer e a incrementar a alimentação; a invenção da roda auxiliou no deslocamento e aliviou o trabalho braçal. Tal qual esses exemplos, a expressão artística acompanha o ser humano desde as cavernas. Mas qual é a função da arte? “A arte salva”, resume Zibel. “É o terreno da alma humana”. Sem a arte, fogo e roda – e a própria humanidade – talvez não existissem: ao exercitar e alimentar a alma, cria-se a base para a inventividade que afirma a sobrevivência. Pelo sonho, garante-se existência. “A pessoa pode até não se interessar por arte alguma, mas ela é o campo humano do possível. Pela arte, manifestamos nossa humanidade”.