[[legacy_image_269749]] Nos dicionários, alegria é definida por estado de viva satisfação, contentamento, regozijo, júbilo, prazer. Mas é possível que no Vibra São Paulo, entre 21 e 28 de julho, a palavra ganhe outra definição: Mamma Mia! Essa é aposta do elenco e da produção do musical que chega à Capital, após uma bem-sucedida temporada no Rio de Janeiro. “Assisti ao espetáculo ainda em Londres. Foi uma catarse, mas achei meio frio, distante. Queria trazer Mamma Mia! para a praia. A gente mexeu na estética, o espetáculo ficou com mais calor, mais sexy”, revela o diretor Charles Möeller. Santista de nascimento, a praia a que se refere é bem conhecida de você, leitor: vai da Divisa ao Canal 6. Até o cenário teve inspiração em casinhas caiçaras – bem distante da paisagem europeia original. Apenas um item ficou intocado nesta montagem brasileira: o texto. “Não mexemos. Muita gente criticava, que o texto era fraco, feito para as músicas do Abba. Mas eu acredito no texto”, defende. “Ele foi escrito nos anos 1990 e já falava sobre empoderamento. Outra particularidade, a história não tem vilão: há o antagonismo da vida, de duas mulheres que se amam muito”, analisa Möeller. OrigemEscrito por Catherine Johnson, o musical nasceu a partir das canções do grupo sueco Abba. Conta a história de Sophie, vivida por Mara Brasil, uma garota de 20 anos que mora com a mãe, Donna Sheridan, interpretada por Claudia Netto, e não conhece o pai. Prestes a se casar, encontra o diário da mãe e descobre que ela teve um caso com três homens, Sam Carmichael (Sérgio Menezes), Harry Bright (Fabricio Negri) e Bill Austin (Renato Rabelo), meses antes de seu nascimento. Prestes a casar, resolve convidar os três para a cerimônia, na tentativa de descobrir quem é o seu pai. Esse aparente drama é apresentado com leveza e sede de vida, ao ser bem costurado em canções clássicas, como Dancing Queen e I Have Dream, a maioria com versões em português. “Também vi em Londres, era meio cafona, rígida, mas havia alegria. A gente colocou o nosso swing”, disse Cláudio Botelho, responsável pela versão brasileira do espetáculo. “No Rio de Janeiro, vimos a catarse todo dia. Tem pessoas que foram assistir 12 vezes. O espetáculo oferece essa bomba atômica de pura alegria”, acrescentou a atriz Cláudia Netto. “Há o amor não só pelo espetáculo, mas pelo Abba. O final é emocionante, a parte em que a plateia é convidada a dançar e cantar junto, fazer o espetáculo. É uma troca muito bonita”, diz Mara Brasil. Completam o elenco, e a trama, Diego Montez, que vive Sky, o noivo de Sophie; e as duas amigas de longa data de Donna, Rosie e Tanya, interpretadas, respectivamente, por Gottsha e Maria Clara Gueiros. Mais conhecida pela veia humorística, Maria Clara surpreende ao cantar, mesmo ao lado de dois totens do gênero no Brasil, Cláudia Netto e Gottsha. Com bom humor, ela resume seu papel em meio às colegas. “Eu me sinto mal. Sei o meu lugar”, diz, para risos da plateia de jornalistas no Blue Note, na Capital, onde ocorreu entrevista coletiva do espetáculo. Botleho e Möeller Mamma Mia! marca o retorno da paceria entre Carlos Botelho e Charles Möeller na adaptação e direção. Com dezenas de espetáculos no currículo, estão de volta, juntos, ao sucesso nos palcos, com a produtora Aventura. A emoção de ambos era evidente durante a entrevista. “Quando você tem uma pandemia dessas, você acaba não querendo perder tempo de estar com quem você ama”, resume Möeller. [[legacy_image_269750]] EspelhoGottsha vive Rosie ou Rosie vive Gottsha? Com mais de 20 musicais no currículo, o maior desafio da atriz, cantora e dubladora para compor sua personagem em Mamma Mia! foi ela mesma. “O personagem parece comigo”. Segundo Gottsha, Rose é irônica, apresenta-se como se fosse correta, mas não é. “As pessoas olham para mim: ‘ela é louquinha’. Então vêm conversar comigo, ‘ora, ela séria’... mas sou louquinha mesmo”, sorri, exemplificando. Da mesma forma, ela enxerga Rosie. Mais difícilMas, por incrível que pareça, essa semelhança mais atrapalha do que ajuda na hora de compor o personagem em cena. “Tento economizar os meus trejeitos nela. Quando ela interpela a amiga, Donna, e diz: ‘mas como você não me contou isso???’, o jeito dela seria exatamente o meu”. Gottsha explica que o ator naturalmente se impõe uma ‘camuflagem’ para se proteger da influência emocional do personagem – o que se torna mais difícil quando a fronteira entre um e outro é mais tênue. “Quando fiz a madre superiora, em A Noviça Rebelde (2017), me deparei com uma realidade totalmente diversa, precisei estudar, mas foi mais fácil”. Santos e RioCarioca de nascimento, ela conhece Santos e tem muitos amigos aqui. “É parecida com o Rio de Janeiro, como as pessoas acolhem. Eu me sinto em casa em Santos”. Serviço. Mamma Mia!, no Vibra São Paulo (Av. das Nações Unidas, 17.955), dias 21 e 22 de julho, às 16h e 21h; dia 23, às 16h e 20h; dias 26 e 27, às 21h; dia 28, às 20h. Ingressos, entre R\$ 37,50 e R\$ 140,00, à venda aqui.