[[legacy_image_227581]] Unindo romance com poesia, o maestro e compositor João Rocha – natural de Santos, radicado nos EUA e com formação na Alemanha em piano – se apresenta nesta quarta-feira (7) no Sesc Santos (Rua Conselheiro Ribas, 136), às 20h. Com sua esposa nos vocais, a portuguesa Paula Gândara, eles formam o Duo Rocha Gândara, e buscam mesclar elementos do cancioneiro brasileiro, ao mesmo tempo em que se deixam influenciar pelo lirismo e expressividade da música clássica. Clique, assine A Tribuna por apenas R\$ 1,90 e ganhe centenas de benefícios! Nesta apresentação, eles contam com um grupo de cordas formado por membros da Orquestra Sinfônica de Santos e da Camerata Jovem Santista. “São jovens muito talentosos. Eles vão deixar o show ainda mais bonito porque o grupo de cordas sempre enriquece a sonoridade”, diz o maestro. Mas, para ele, a “cereja do bolo” será a participação de um octeto vocal formado por membros dos corais municipais das cidades de Santos, Cubatão e Guarujá. O espetáculo conta a história de Maria, personagem fictício que representa a figura da mulher. “Ao longo do show, a gente relata desde o nascimento de Maria até a passagem pelos eventos da vida, ou seja, a primeira experiência amorosa, decepções, alegrias e reflexões”, explica Rocha. Para ele, esse será um evento muito especial, pois o dedica como “uma humilde homenagem ao centenário do maestro Gilberto Mendes”, que completado em outubro. “Ele foi meu mestre, meu mentor entre 2006 e 2016, até seu falecimento. Então esse show também vai fazer parte da nossa celebração à figura do Gilberto Mendes, um expoente da cultura santista”. InícioDesde a primeira infância, Rocha tinha um bom relacionamento com a música, principalmente com o samba. “O meu portal de entrada no mundo da música foi a música popular. Foram os tropicalistas e o samba, pelo fato do cavaquinho ter sido o meu primeiro instrumento”. Contudo, ele não acredita que houve uma mudança para a música clássica. “Na verdade, a música clássica sempre esteve presente na minha vida. Foi só uma consequência, não uma decisão”, explica. De acordo com o maestro, no Brasil é muito comum que haja um contato inicial com a música popular; afinal, ela é uma das mais desenvolvidas e mais sofisticadas do mundo. Para ele, todos os músicos que têm uma carreira mais consolidada acabam “ficando com um pé na música popular e outro na música erudita”. DesafiosBeethoven, Bach, Chopin e Vivaldi. Não há quem não os conheça, nem que seja de nome, mundo afora. Pela experiência de Rocha, as pessoas tendem a pensar que esses grandes ícones já nasceram com um talento absolutamente especial. “É o que tendemos a pensar. Só que a história não é assim, isso é um engano. Há um esforço muito deliberado para que esses nomes sejam eternizados e para que a obra desses artistas se mantenha eternizada”, afirma. “Costumo perceber que, quando você vai a lugares, mesmo aqui no Brasil, você provavelmente é um dos poucos artistas negros no lugar inteiro”, explica o maestro ao dizer que essa é uma forma de racismo estrutural. Ele diz que é desafiador ser um músico negro no meio de um estilo musical majoritariamente branco. “Numa das últimas colaborações que fiz aqui no Brasil, um músico de uma orquestra me tratou muito mal. Investiguei e soube que eu e um outro maestro negro fomos as únicas pessoas que ele tratou daquela maneira”, relata Rocha. Segundo o músico e compositor, ainda há muito a ser trabalhado na sociedade em relação ao racismo. “Você sempre tem que provar por A mais B que consegue estar ali na frente, liderando. Inclusive esse rapaz que me tratou mal chegou a afirmar que eu não sabia o que estava fazendo, e fez a mesma coisa com esse outro regente negro”, lembra.