Palco tem apresentações multiculturais de música e dança (Alexsander Ferraz/AT) Santos é o retrato típico do povo brasileiro miscigenado. Forjado na cultura, nos costumes e na culinária de imigrantes — entre eles, europeus e asiáticos —, que desembarcaram no Porto. Para celebrar os ancestrais, a Prefeitura promove o Festival do Imigrante, no Largo Marquês de Monte Alegre, no Valongo. O evento começou nesta sexta (15), no feriado da Proclamação da República, e se estende até este domingo (17), das 11 às 19 horas. Esperam-se mais de 40 mil visitantes. Clique aqui para seguir agora o canal de A Tribuna no WhatsApp! A festa está a cargo da Secretaria Municipal de Empreendedorismo, Economia Criativa e Turismo. A partida do Bonde das Nações, com passageiros carregando bandeiras de países, deu início às festividades pela manhã. Em seguida, houve homenagem aos imigrantes em um palco onde, em todos os dias do festival, ocorrerão apresentações multiculturais de música e dança. A prefeita em exercício, Renata Bravo (PSD), compareceu ao evento na sexta (15). O diretor do Departamento de Empreendedorismo e Economia Criativa, André Falchi Bueno, destacou a importância da celebração. “É um mix de nacionalidades que compõem a nossa identidade, enquanto povo, enquanto nação, cada um com sua gastronomia.” Bueno ressaltou a oportunidade de geração de renda no espaço, com mais de 40 artesãos locais expondo e vendendo produtos. Partida do Bonde das Nações, no qual havia penduradas bandeiras de países, deu início às festividades pela manhã (Alexsander Ferraz/AT) O carro-chefe do festival são as comidas típicas. Na praça de alimentação, com estandes de instituições parcerias, o público pode experimentar pratos de países como Espanha, França, Itália, Japão, Portugal, Grécia, nações africanas e árabes, México, Estados Unidos, Argentina e Brasil. Os interessados em aprender mais sobre a culinária e a cultura de nações podem se inscrever nas oficinas da sala de aula do Estação Bistrô Restaurante-Escola. Outras atrações são o walking tour, com o tema Imigração; contação de história no bonde italiano; visitas aos carros ferroviários históricos na Garagem dos Bondes; as feiras de economia criativa Feito em Santos e Rota da Cerveja Artesanal, brinquedos infláveis e maquiagem para crianças. PÚBLICO CELEBRA Moradora de Praia Grande, a microempresária Nazareth Natividade dos Santos esteve no Festival do Imigrante pela segunda vez. “Eu gosto de prestigiar porque eu me identifico, por causa das minhas raízes africanas.” A aposentada Neuza Ikeda contou que vem todos os anos apreciar “as atrações, as músicas, mas, principalmente, a culinária, que traz a origem e a história de cada povo”. Neta de um imigrante japonês que chegou em Santos a bordo do navio Kasato Maru — o primeiro a aportar com japoneses em Santos, em 18 de junho de 1908 —, Neuza declarou ser “um orgulho o Brasil ter recebido a gente”. A presidente da Associação dos Italianos de Santos, Isabel Cristina Santalucia, que mantém um estande de alimentação no evento, comentou que o festival é oportuno para manter viva a cultura. “Essa junção de nações é interessante.”