[[legacy_image_264827]] Quando um grupo não consegue acessar um determinado espaço, todo mundo perde. A partir dessa reflexão, acontece neste sábado (6) o Sinalizarte, evento de arte voltado para a comunidade surda. O encontro será realizado na Congregação Santista de Surdos (Rua Tocantins, 4), às 14 horas. Clique, assine A Tribuna por apenas R\$ 1,90 e ganhe centenas de benefícios! Organizado pela produtora Giovana Gargioni, a ideia do projeto é criar pontes para discutir acessibilidade cultural. A Congregação Santista de Surdos foi fundada na década de 1950. Segundo Giovana, a sociedade não tem recursos para acessibilidade. A produtora acredita não só na inclusão de pessoas com deficiência (PcD) na área cultural e profissional, mas também no protagonismo delas em suas próprias expressões. “Uma boa forma de trabalhar isso é com educação e a desmistificação da comunidade PcD”, afirma Giovana Gargioni. Sobre a arte surda, Adriana Dias, diretora cultural da Congregação Santista de Surdos, cita que há poucos surdos interessados, pois não existem muitas referências no País. “O objetivo do evento é divulgar que o surdo tem capacidade de atuar em qualquer área, inclusive na arte”, enfatiza. Adriana é surda de nascimento, e sempre interagiu com os deficientes auditivos – seus pais também são surdos. Formada em Ciências da Computação, trabalha no Banco Itaú há 15 anos como engenheira em Tecnologia da Informação. É casada e tem uma filha de 7 anos, Maria Luiza, que é ouvinte. A primeira língua que a filha aprendeu foi libras. A Busca do Eu e O SilêncioSurdo, Giuliano Robert é diretor de cinema, fotógrafo e ator. No seu curta, uma mãe ouvinte relata o início do processo de comunicação com o filho surdo. Giuliano conduz o documentário partindo das experiências com sua mãe, Márcia. O filme traça a busca da relação com uma realidade que, pela falta de informação e acesso, silencia outras maneiras de se comunicar. O filme estreou em 2021, no 10º Olhar de Cinema – Festival Internacional de Curitiba. Apreciador da arte desde pequeno, o diretor iniciou sua experiência em um curso de fotografia. Depois, se interessou pelo cinema. Trocando experiências e parcerias com outros profissionais da sétima arte, surdos e ouvintes, foi desenvolvendo projetos. Ele vê como raro o tema envolvendo a comunidade surda. Considera O Milagre de Anne Sullivan (1962) e The Sound of Metal (2019) preciosidades. No Brasil, a atenção aos surdos no cinema é quase nula. Com isso, acabou se tornando um dos poucos cineastas que não ouvem do País. Dirigir um filme sendo surdo traz a possibilidade de aprendizado na convivência entre surdos e ouvintes, pois ambos, em termos profissionais, são equiparados. Mas era necessário paciência para que fosse estabelecida uma comunicação, seja no português escrito ou em libras, que ensinava aos colegas de trabalho. Atualmente, o cineasta desenvolve o roteiro do longa-metragem ficcional Vibração e dedica seu tempo ao projeto de outro documentário sobre a comunidade surda, desta vez um longa-metragem, Minhas Mãos.