[[legacy_image_45058]] A essência de mulheres que carregam consigo o fardo do sertão, além de regionalismos, marca o espetáculo Sertão Sem Fim, idealizado pela atriz Tertulina Alvez, de 46 anos. A obra segue em temporada virtual até o próximo dia 30, revisitando memórias de Tertulina e de tantas outras mulheres que se sentem representadas pelo estigma da luta diária. Clique e Assine A Tribuna por apenas R\$ 1,90 e ganhe acesso completo ao Portal e dezenas de descontos em lojas, restaurantes e serviços! A peça é um monólogo em que Tertulina interpreta Bastia. A personagem simboliza a voz de mulheres de Macaúbas, interior da Bahia, que a atriz visitou em 2018 para coletar depoimentos e, então, criar a obra. “Queria ter o olhar do sertão a partir do olhar das mulheres que vivem lá”, ressalta. E há um porquê da escolha dessa região. Foi lá que a atriz passou sua infância, tendo sentido na pele o trabalho na roça e a alegria da chuva após um longo período de estiagem. Ela viveu lá dos 7 aos 10 anos e depois retornou para a Grande São Paulo, onde nasceu. Apesar do pouco tempo em que passou no sertão, ela conta que sua infância foi cercada por mulheres fortes que a marcaram muito. O cenário do espetáculo é minimalista. Galhos, ossos, um tronco, uma botija e um banquinho dão suporte às cenas, criando imagens junto ao corpo da atriz sob um fundo preto. Segundo Tertulina, essa foi uma forma de fugir da representação do sertão como “terra batida, seca”. “Não conto só que a personagem passou fome e enfrentou problemas. Ela também construiu coisas, prosperou com dignidade. São nuances da região que precisam ser mostrados”, ressalta. Além disso, ao longo da peça, desmistifica-se que a resistência do corpo feminino está ligada apenas à mulher sertaneja. “A história se passa no sertão, mas pode ser transposta em qualquer outro espaço”, acredita. “Se você pensa em São Paulo, Rio de Janeiro e outros lugares, você percebe que ela também retrata a realidade dessas mulheres, que têm que trabalhar para trazer o sustento da casa”. Como assistir A peça que fala sobre mulheres, justiça e vida real pode ser assistida neste sábado (15), às 21 horas e domingo (16), às 19, nas redes do Teatro Cacilda Becker. O restante da programação está no Instagram @projetosertaosemfim.