[[legacy_image_90506]] Dirigido, escrito, produzido e protagonizado por mulheres, o filme L.O.C.A. - Liga das Obsessivas Compulsivas por Amor não podia ser mais feminino. Por meio de histórias cômicas de vingança por amor, as autoras tecem pelo fio da ficção uma narrativa que ressignifica o “ser louca” em uma sociedade machista e misógina. Clique e Assine A Tribuna por apenas R\$ 1,90 e ganhe acesso completo ao Portal e dezenas de descontos em lojas, restaurantes e serviços! O termo “vingança” pode parecer muito forte, mas na opinião de Mariana Ximenes, que faz a protagonista Manuela, é uma expressão saudável da raiva e frustração que sentimos cotidianamente frente às violências psicológicas, físicas e emocionais que sofremos. “Que delícia a gente poder viver essas mulheres furiosas, atacando e se vingando, porque na verdade elas só extrapolam o que a gente até gostaria de fazer, mas não pode ou não deve (risos). A ficção tem essa brincadeira e poder de extrapolar”, comenta, ressaltando que, mesmo em tom de brincadeira, os temas retratados pela comédia são sempre bem sérios. Se não o instrumento mais poderoso para discussões sérias, a comédia é um recurso valioso para análise de questões sociais diversas. O elenco estelar, que vai de Ximenes a Debora Lamm, Roberta Rodrigues, Luis Miranda, Fabio Assunção, Erico Brás e mais, foi fruto de uma escolha cautelosa. “Temos atores extraordinários, com compreensão extraordinária de dramaturgia, que dão aulas de comédia”, ressalta Carolina Jabor, que ressalta no bom humor do filme a evolução do feminismo e o poder de uma “história de amor torta” na comédia para falar sobre o feminino. Relacionamentos abusivos Na trama, Manuela (Mariana Ximenes) vive um relacionamento tóxico com seu professor de mestrado, Carlos (Fabio Assunção), enquanto tenta equilibrar sua carreira como repórter de uma revista feminina comandada por um chefe machista (Otávio Muller). É na tentativa de escrever uma grande reportagem que acaba indo a uma sessão do grupo de apoio L.O.C.A., onde conhece Rebeca (Roberta Rodrigues) e Elena (Debora Lamm). Aos poucos, Manuela percebe que se identifica com aquelas mulheres e que talvez também pertencesse àquele grupo — o qual no fim das contas, todas pertencemos. Segundo Claudia Jouvin, essa ressignificação do termo “louca” faz com que as mulheres se sintam mais fortes. “De uma maneira divertida, você pode abrir milhões de discussões muito importantes”, e falar sobre relacionamentos abusivos é uma delas. Para Claudia, era importante destacar esses assuntos que, muitas vezes, são silenciados. “Muitas vezes, quando você está num relacionamento tóxico, tem vergonha de falar sobre isso. Quando você põe isso num filme com histórias e personagens diferentes pra abrir a identificação do público, você diz que tudo bem. É uma coisa íntima, que é difícil falar, mas é importante. As pessoas precisam falar, nem que seja para uma amiga, elas têm que achar algum caminho pra sair dessa situação, que é muito difícil. Temos nessa história o grupo de apoio, que é um ombro amigo, mas o próprio filme serve como um ombro amigo”, reflete. Fugindo de estereótipos É difícil contar com retratos não estereotipados de mulheres em filmes de comédia. Na provocação de contar histórias sobre vários tipos de pessoas, Claudia exalta dinâmicas diferentes e busca retratar o lado bom e ruim dos relacionamentos. “O importante para não cair no caminho do estereótipo é mostrar que as pessoas são múltiplas e que vivem situações diferentes”. Um exemplo é a irmã mais nova de Manuela, Joana (Valentina Bandeira), que está grávida, casada e vive um relacionamento feliz. A diretora também ressalta o papel das novas gerações em mudar os papéis de gênero tradicionais e reconstruir essas narrativas nas telonas. “Os homens mais jovens também estão mais preocupados, querendo entender, se readequar. Eu tenho uma irmã mais nova que tem um namorado maravilhoso, a Joana e o marido são inspirados neles, porque eu já vejo uma mudança. Dá um calorzinho no coração de ver isso. A gente precisa estudar e falar sobre gênero, questões raciais, precisamos estar ligados o tempo inteiro”, avalia. Dirigido e roteirizado por Claudia Jouvin, com produção de Carolina Jabor, a produção estreia no próximo domingo (15), no streaming do Telecine e no Telecine Premium, às 22h. [[legacy_image_90507]] As 'LOCA' REBECA (ROBERTA RODRIGUES) Autêntica e dona de si, Rebeca é orgulhosa e não admite ser enganada por ninguém. Por isso, quando pressente que os acordos em seu relacionamento estão sendo descumpridos, não hesita em tirar satisfação e sair de cabeça erguida, pela porta da frente. Ela aprende que está tudo bem ser vulnerável de vez em quando, pois todos sentimos muitas coisas e nem sempre somos os donos das situações. O mais importante é amar e cuidar de si mesma: não somos fortalezas inatingíveis, mas mesmo quando as dificuldades surgem, podemos aprender grandes lições. MANUELA (MARIANA XIMENES) Relutando contra um sentimento de fracasso e frustração em vários campos de sua vida, Manuela tenta ter o relacionamento perfeito, a carreira perfeita e estar perto da família, mesmo ciente de que a perfeição não existe. Ao longo da trama, ela abre mão do controle para se permitir viver e ser quem é, e é nessa liberdade de suas próprias correntes que ela descobre mais sobre si mesma e seu potencial. ELENA (DEBORA LAMM) A raiva é um sentimento perigoso, mas libertador. Se aplicado de forma errada — ateando fogo na casa de seu ex-marido, por exemplo —, pode ser um pouco prejudicial. Mas se expressada de formas saudáveis, contando com uma boa rede de apoio e principalmente muito diálogo, a resolução desses conflitos internos só vai fazer bem. Na ficção, Elena tem problemas em enfrentar essas dificuldades. Porém, na vida real, é essencial entender a importância do autoconhecimento e o poder da escuta para relacionamentos saudáveis com os outros e com nós mesmos.