[[legacy_image_265944]] Mãos, pés, cérebro, emoção. Substantivos comuns a todos. A José Roberto Aguilar, é assim: em comum, todos somos artistas. “Se liberar, sim. Aliás, todo mundo é tudo”. Aos 82 anos, ele ainda é o artista com ‘A’ maiúsculo: pintor, escultor, performer, multimídia e escritor. “Não faço divisão de linguagens, faço a univer-salização de linguagens”. Essa universalização estará condensada, a partir de hoje, na Pinacoteca Benedicto Calixto, no Boqueirão, em Santos, na mostra Destinos – a primeira de Aguilar na Baixada Santista, em mais de 60 anos de carreira. Clique, assine A Tribuna por apenas R\$ 1,90 e ganhe centenas de benefícios! O teor da exposição segue a lógica de um jogo de tarô, em que cada uma das 16 telas age como uma carta. Ao ser atraído para determinada pintura, o visitante terá acesso a um texto referente àquela obra: o seu destino revelado. Por exemplo, o quadro Destino 4 é associado ao líder, cujas características descritas são gregário, convidativo, carismático; um imã de consciência. “É um estímulo baseado em uma sincronicidade: você escolhe o quadro pela forma, que sempre vem antes do pensamento e da leitura”. Eis a mensagem, bem sutil: pela senbilidade e intuição, se traça o destino. Cheiro de terebentinaAutoditada, Aguilar enveredou pelo caminho das artes ainda nos anos 50, com o amigo de infância, Jorge Mautner, que mais tarde viria a se destacar por seu trabalho musical, especialmente ligado à Tropicália. “Para mim, ele é o maior gênio da pintura brasileira, que não é reconhecido – além de músico. Foi companheiro no colégio”. Certo dia, o companheiro de colégio chegou e propôs: “Vamos pintar! Meu avô é pintor, passo uma tarde com ele, aprendo e trago a informação”. Uns dias depois, voltou com uma tela em branco, terebentina (solvente), pincéis e tintas: “já sei pintar”. Da certeza ao mãos à obra, não houve titubeio, nem mesmo no incentivo a Aguilar. Como todo menino de 15 anos, ele se animou com o entusiasmo do amigo. E, ao abrir o tubo de terebentina, sua vida mudou. “O mago, o Aladim da pintura, sempre se apresenta de alguma forma. Comigo, foi pelo cheiro, pela magia daquele cheiro (da terebentina)”. O cheiro típico da terebentina é o de pinho, quando o solvente é fabricado a partir da resina do pinheiro, que é o mais comum. A imagemA partir da magia da terebentina, já foram pelo menos 50 exposições individuais e mais de uma centena coletivas, incluindo várias bienais de São Paulo. De Colônia, na Alemanha, a Tóquio, no Japão, passando por Paris, Buenos Aires e Nova Iorque, boa parte do mundo já apreciou a arte de Aguilar. O meio pode ser a mensagem, também na arte. Inquieto, variava as técnicas de expressão. Compôs obras com spray e pistolas de ar comprimido, novidades no final dos anos 60; usou até maçarinos. Mas foi nos anos 70 que uma antiga ligação emocional com a imagem, construída pela figura do pai, que era dono de uma filmoteca na Capital, nos anos 50 – alugava filmes em 16 milímetros a domicílio –, caiu como uma avanlanche, quando em Nova Iorque Aguilar topou com uma das primeiras filmadoras portáteis. “Abriu um horizonte imenso. Porque a videoarte é a verdade, não é a forma. O filme é uma combinação de cores, mas o vídeo é composto por pontos e linhas, contém uma verdade fantástica”. [[legacy_image_265945]] Aguilar foi pioneiro da videoarte no País. Hoje, a criação penetrou nos circuitos e chips dos computadores: já há arte produzida em ambiente virtual e até exposições inteiras realizadas apenas na tela de cristal líquido. Ou seja, a tecnologia expande os caminhos e possibilidades da arte. “A gente (o artista) vivencia o nosso tempo, como Da Vinci vivenciou o dele. Então, se há uma nova tecnologia, os artistas vão tentar roubar um pouquinho dela”. Tudo isso apenas para realizar o que ele considera como a grande função da arte na vida humana. “É um meio para você existir”. Não é pouca coisa. Serviço: Destinos, de terça a domingo, das 9 às 18 horas, na Pinacoteca Benedicto CaliXto (Av. Bartolomeu de Gusmão, 15)