[[legacy_image_213207]] Inquietação e provocação. Essas são as palavras que melhor descrevem o espírito do maestro e arranjador Júlio Medaglia. E para homenagear os 100 anos de seu colega de profissão, além de amigo pessoal, Medaglia participa da Semana Gilberto Mendes, cuja programação já está em andamento em vários palcos de Santos, com grandes nomes do cenário musical que tiveram as suas carreiras inspiradas nas obras do maestro santista. Clique, assine A Tribuna por apenas R\$ 1,90 e ganhe centenas de benefícios! “A gente faz parte de uma geração que gosta de estar sempre provocando, procurando coisas diferentes, provocando coisas diferentes. Assim como Gilberto, eu sempre procurei ligar a música com outras artes, com outras provocações culturais, com outros estilos, com as transformações que a linguagem musical sempre teve durante toda a sua existência”. Medaglia é fundador da Amazonas Filarmônica, uma das mais importantes orquestras brasileiras. Ele sempre enxergou a música não como algo a que assistimos e esquecemos depois, mas que “mexe com a vida da gente, com uma dimensão cultural mais ampla”. Além do violino Violinista de origem, Júlio Medaglia chegou a tocar em orquestra sinfônica, mas sua inquietação e preocupação com a cultura eram tão amplas que começou a ir além do violino. “Fui me aproximando do repertório sinfônico, do repertório cultural e não apenas do violino. Com essa ampliação do meu interesse, achei que a regência podia me oferecer mais elementos para minha vontade de querer conhecer o universo cultural da música”. De concertos a trilhas de filmes, o maestro já compôs centenas de canções. Música popular e erudita“O consumo da música popular está num nível muito baixo. Nunca esteve, na história do Brasil, tão baixo”. Medaglia tem uma forte posição sobre a música erudita e popular brasileira e acredita que ela deixou de ser prestigiada pela geração mais recente. Para ele, o rádio e a televisão têm a tendência à simplificação, para atender a qualquer tipo de público. “Os meios de massa estão preocupados em impor o ‘bate-estaca’, como a gente chama no jargão da música erudita, para fazer exatamente a molecada comprar aqueles discos e jogar fora logo, porque interessa para a indústria cultural que você goste um pouquinho e jogue fora”, explica. Para conter esse movimento de “bate-estaca”, o maestro defende que é necessário investir no que costuma chamar de “música inteligente”. “Mais elaborada, que tem preocupação, que envolve muitos elementos de diversos universos culturais”. Hoje em dia, Medaglia integra o programa Prelúdio, na TV Cultura. “É um programa para jovens músicos, e eu procuro exatamente botar na cabeça dessa criançada uma consciência do que é ser músico e não apenas tocador de violino”. Semana Gilberto Mendes“É importante a gente valorizar a trajetória dele, porque, mais do que todos os outros compositores de sua geração, o Gilberto Mendes foi um provocador”, diz. “Ele passou por uma fase no rock, onde começou com os Beatles e, de repente, vira um turbilhão de acontecimentos. O mundo inteiro pegava fogo, musicalmente, no rock, no jazz, na música popular brasileira”. Para Medaglia, Gilberto Mendes abriu o universo da música de vanguarda erudita ou de concerto para outras experiências; assim, encorajou outros jovens a experimentar outros universos musicais. “Por isso é que ele se tornou um compositor tão admirado como a gente hoje considera”, completa. O maestro Gilberto Mendes completaria 100 anos no dia 13 de outubro. As homenagens já estão em andamento com uma programação ampla e gratuita, em seis locais diferentes de Sant Confira as atrações do fim de semanaSábado (8) Teatro Guarany (Praça dos Andradas, 100) 9h às 12h: Showtime na Onda dos Musicais, workshop com o maestro Rafael Righini Inscrições: gilbertomendes100anos@gmail.com Concha Acústica (Orla da Praia do Gonzaga) 18h: A bossa de Gilberto Mendes, com Theo Cancello 19h: Água e Sal, com a Cia. Aplauso de Dança Contemporânea 19h30: Sarau Caiçara, com escritores da região 20h: Núcleo Hespérides – Música das Américas, recital comentado, com Adélia Issa, Marcos Thadeu, Rosana Civile e Heloísa Valente Museu da Imagem e do Som de Santos (Avenida Pinheiro Machado, 48, Vila Mathias) Sessão Amores de Gilberto, filmes que Gilberto Mendes adorava: 16h: O Gabinete do Dr. Galegari 17h30: Sabrina 19h30: Asas do Desejo Domingo (9) Teatro Guarany 19h: LP do Madrigal Ars Viva, bate-papo com Luiz Celso Rizzo e maestros Luís Gustavo Petri e Roberto Martins 20h: Núcleo Hespérides – Música das Américas, recital comentado, com Heloisa Petri e Andrea Kaiser, Sandro Bodilon, Maria Emília Moura Campos e Heloísa Valente. Júlio Medaglia participa dia 15 do evento. Programação completa no site.