[[legacy_image_271554]] Um pedaço robusto da história da MPB nos últimos 50 anos estará nesta quinta (1º), a partir das 21 horas, ao vivo no palco do Teatro Municipal Braz Cubas. Muito além de um cantor, compositor e instrumentista, João Bosco, por sua música, é um tradutor de seu tempo e lugar. Ou, como ele diz, um produto de vários “acasos” felizes. Muito felizes, aliás. O show desta noite é justamente uma celebração dessa carreira que começou em 1972, com um lado B: o compacto lançado na coleção Disco de Bolso, do jornal O Pasquim, O Tom de Antônio Carlos Jobim e o Tal de João Bosco. O lado A, do Tom, era nada mais, nada menos que Águas de Março; do outro lado, o “tal João Bosco”, com o hoje clássico Agnus Sei – primeira parceria com o eterno Aldir Blanc, vítima da covid-19, em 2020. “Ele permanece vivo através de suas canções, de seus parceiros. Toda vez que a gente canta uma canção em que ele é parceiro, ele surge, com aquele vigor criativo. É um dos letristas mais importantes dessa moderna música popular brasileira”, diz João Bosco, em entrevista para A Tribuna. Agnus Sei, a primeira, deve estar no repertório do show. Assim como canções de Abricó do Macaco, mais recente álbum, de 2020. No meio disso, uma vasta história. “O show mescla músicas atuais, com canções que contam a minha trajetória como compositor, junto de vários parceiros, principalmente o Aldir”, enfatiza. Leia-se aí De Frente pro Crime, Memória da Pele (com Wally Salomão), O Ronco da Cuíca, além de Papel Machê e O Bêbado e o Equilibrista, um verdadeiro hino de angústia, mas recheado de esperança, imortalizado na voz de Elis Regina. “Todas essas canções que são importantes em determinados momentos da minha vida e vão estar contando um pouco dessa história”, afirma o compositor. RoqueiroÂngela Maria, Cauby Peixoto, e mais Elvis e Little Richard. O ecletismo de influências foi determinante para o artista que, nos anos 70, despontou. Mas o então nascente rock’n’roll cumpriu um papel preponderante nessa trajetória: João Bosco tocou em uma banda do gênero, inclusive. “Todo garoto ali naquela fase dos 11, 12 anos se afeiçoa por aquela música com que ele se depara no rádio, na tevê, nas revistas... A música nos ambientes da rua, nas esquinas. Djavan fala ‘só eu sei as esquinas por onde passei’... Os espaços onde se encontra a música, os amigos que mostram... Eu, como todo garoto, vou me espelhar na juventude. Assim, me deparei com Elvis, Little Richard...” Embora sua última apresentação por aqui tenha sido há sete anos, a história de João Bosco com Santos é antiga, dentro e fora dos palcos. Ele se recorda de vários shows pelos clubes de regatas da Cidade ao longo da carreira e de “esticar” a estadia por aqui, quando vinha se apresentar na Capital. “Gosto muito de reencontrar o público de Santos, que é uma cidade eternizada na música brasileira, não só pelo Roberto Carlos, mas pela Elis também, que gravou essa canção (As Curvas da Estrada de Santos)”. Para reencontrar João Bosco, basta ir ao Teatro Municipal Braz Cubas (Av. Pinheiro Machado, 48) hoje, às 21 horas. Antes, porém, é preciso garantir o ingresso pela internet. Os preços são R\$ 160,00 e R\$ 140,00. Clube A Tribuna tem 30% de desconto. Não perca na edição de sábado de A Tribuna, a entrevista completa com João Bosco.