Rubem Robierb mora há quase duas décadas em Nova Iorque e se tornou reconhecido internacionalmente (Sílvio Luiz/AT) Antes das asas, vêm as raízes: quem voa, um dia há de voltar. O retorno do artista plástico Rubem Robierb também é uma volta a si mesmo: ao menino de 6 anos que, em Bacabal, no interior do Maranhão, um dia presenciou a cheia implacável do Rio Mearim e o tanto de estrago que trouxe às casas de taipa da população ribeirinha. A partir desta sexta-feira (20), até 27 de outubro, quem for à Pinacoteca Benedicto Calixto (Av. Bartolomeu de Gusmão, 15, Boqueirão, Santos) verá muito mais do que uma mera mostra artística: Raízes para Voar é a exposição da própria vida de Rubem. Clique aqui para seguir agora o novo canal de A Tribuna no WhatsApp! “Esta mostra é muito emocional para mim. Queria fazer algo especial para cá, voltando às minhas raízes. Quero que as pessoas se identifiquem com aquele garoto, que se vejam com a brasilidade dele. do ponto de vista dele, que saiu do Brasil há muitos anos, construiu sua história e está voltando para compartilhar essa experiência”, explica. Rubem mora há 18 anos em Nova Iorque e é reconhecido internacionalmente, com obras expostas em vários países. Nesta volta à sua casa, a principal obra da mostra é uma escultura que recria a cena da infância no Rio Mearim, com a canoa, o menino, que é ele próprio, portando uma lamparina, a vegetação de mangue ao redor e uma rede cheia de borboletas – ou seja, as raízes e a asas para voar. “O que venho retratar com esse garoto é a luz interna”. A origem A arte busca os seus escolhidos, o menino nasceu artista, crê Rubem. “Sempre soube que tinha uma maneira diferente de ver o mundo, referências de contos de fadas, sempre via tudo amplificado”. Mas essa maneira diferente de ver o mundo primeiro se expressou por meio da fotografia, ainda no Maranhão, quando captava imagens em uma câmera descartável. Já em São Paulo, as lentes o levaram para a moda e, daí, às artes plásticas. De São Paulo a Paris, de repente era ele o fotografado, em uma exposição com “letreiro em parada de ônibus, catálogo editado”, como diz. Pronto, já havia sido escolhido pela arte. “Depois de três anos em várias exposições na Europa, vi o que era ser um artista; sem essa experiência, não teria me visto como artista”. Já nos Estados Unidos vieram as séries de obras sobre asas – a ânsia dos voos, da conquista de novos territórios. “No final das contas, o artista divide com os outros a representação da realidade, que ele vê diferente dos outros”. O vernissage da mostra Raízes para Voar, para convidados, será amanhã. Com início previsto para sexta-feira, a exposição estará aberta ao público de terça-feira a domingo, das 9 às 18 horas.