Xico Sá anda com um caderninho para anotar frases, situações inusitadas e tudo que possa dar crônica (Ader Gotardo/ Divulgação) O escritor e jornalista Xico Sá, de 61 anos, apresenta seu 15º livro, Cão Mijando no Caos — título tirado de um poema de Carlos Drummond de Andrade –, neste sábado (10), às 16 horas, na Realejo Livros (Avenida Marechal Deodoro, 2, Gonzaga, em Santos). O lançamento do título, que tem 217 páginas, aconteceu no mês passado em São Paulo. Clique aqui para seguir agora o canal de A Tribuna no WhatsApp! “É um livro para rir, para chorar ou para chorar de rir das turbulências e reviravoltas políticas dos últimos dez anos. A tragicomédia, porém, envolve histórias de amor e sexo, como o drama do casal que leva para a cama as tretas ideológicas”. Segundo ele, a ideia foi compartilhar, como em uma mesa de botequim, a “agonia que vivemos juntos em relação à política do País na última década”. “Sim, o climão é de tudo isso junto, com direito a um porre coletivo de felicidade também. E a ressaca democrática, óbvio, afinal de contas só a ressaca melhora o homem. Já perceberam que somente na ressaca braba o homem promete mudar de vida e amar para sempre?”, indaga. Apesar de, como o autor diz, o livro nascer de uma ressaca, a obra não dá dor de cabeça. Muito pelo contrário. É divertidíssima, cheio de passagens e tiradas hilárias, uma leitura daquelas que a gente não quer largar. Tem o melhor das crônicas, o olhar astuto do cotidiano, do banal, com um quê de humor ácido, mas leve, apesar de crítico. “Fiquei feliz do humor do cronista ter prevalecido ao final. Prova de que a crônica brasileira está mais viva do que nunca, apesar de muita gente declarar a sua morte a cada semana. O livro tem também uma aposta em rir da própria desgraça, seja na política ou nas relações de amor e amizade”. Xico conta que o leitor vai saber, por exemplo, a relação entre o pensamento de Heráclito (o grego que falou que não se banha duas vezes no mesmo rio) e o boêmio que frequenta o mesmo bar. “Por falar nesse filósofo pré-socrático, trago também memórias (de bar, óbvio) de conversas com o Doutor Sócrates – o santista que virou corintiano. E se você não sabe, por exemplo, por que um cão cheira o traseiro do outro, também vai entender tudo na leitura. O importante é que a pessoa reflita e ria da humanidade, mesmo em momentos críticos da nossa política”. E como Xico Sá, um fanático torcedor do Santos, faz para se inspirar e conseguir criar crônicas sobre situações tão cotidianas? “Ah, ando sempre com um caderninho salvador. Anoto frases de garçons, situações inusitadas do passeio na rua, características de alguns personagens, xingamentos públicos etc. Tudo vira crônica”. Quanto ao atual cenário da literatura, que anda sendo descoberta pelos jovens e viralizando em redes sociais, inclusive com clássicos brasileiros encantando os ‘gringos’ (como a obra Memórias Póstumas de Brás Cubas, enaltecida pela influenciadora americana Courtney Henning Novak e que entrou para lista dos mais vendidos na Amazon), Xico Sá faz uma reflexão. “A pandemia, mesmo com todo pânico para todos nós, foi um momento de intensa leitura e de cursos/oficinas literárias. Deixou essa marca. Nós escritores aprendemos também, nessa época, a usar melhor as redes sociais para divulgar os livros. O fenômeno Machado no TikTok só mostra que ainda temos muito como explorar novos atrativos para ganhar leitores”.