[[legacy_image_214634]] Verão. Outono. Inverno. Primavera. Quatro estações do ano que se transformam em cinco no sexto livro do escritor e jornalista Vladir Lemos, Cinco Estações, Poemas de Um Verão Urgente, que é o terceiro de poesias do autor. Na publicação, ele busca trazer ao plano imagético detalhes que passam, muitas vezes, despercebidos na correria do dia a dia e perceber o quanto as estações ditam os nossos sentimentos também. O autor autografa o lançamento na Livraria Realejo, nesta sexta (14), a partir das 17 horas. Clique, assine A Tribuna por apenas R\$ 1,90 e ganhe centenas de benefícios! “A quinta estação é abstrata. Talvez seja a estação que secretamente trazemos em nós”, explica Vladir. A mais nova obra do poeta paulistano, que cresceu em São Vicente e mora em Santos, busca traduzir por meio de metáforas a percepção do cotidiano, presente desde o mínimo grão de areia até a combustão das chamas do sol que arde na pele em um dia de verão. Apesar de o livro ser uma unidade e de os poemas terem uma sequência, a obra permite que o leitor o abra numa página qualquer e o verso dará a impressão de fazer sentido mesmo sem estar inserido no contexto. “O outono vai se gastando / na roda do tempo / e eu / atrás dele / ciente da minha condição de atrasado / correndo, a ordenar sentimentos / na ilusão de tentar alcançá-lo / quando os dias já não queimam / mas são quentes”, diz a primeira estrofe do primeiro poema de Outono. “Escrevo poemas desde que me conheço por gente. Tenho a impressão muitas vezes que fui eu o escolhido pela poesia e não eu que a escolheu. Mas, no fundo, acho que, independentemente da forma, é tudo comunicação”, admite Vladir. Para ele, o encanto da obra é nunca saber o que ela poderá significar para cada um. “Somos todos infinitamente diferentes e as interpretações remetem a isso também”, completa. Ao ser questionado sobre suas motivações para escrever , ele diz que “sem inspiração não haveria livros, mas sem trabalho também não”. Isso porque, por mais que as tecnologias tenham favorecido até os meios de publicação, um livro dá trabalho. “Esse consumiu mais de quatro anos e exige mais do que inspiração. Exige trabalho”. Ele complementa: “Pode parecer algo simples, mas requer uma entrega que só o ato de fazer desvenda”, explica. Devido à pandemia, o livro demorou a ser publicado, mas ele nasceu em um mundo pré-pandemia e, de acordo com o autor e jornalista, é possível perceber “uma leveza que hoje a poesia não teria. Um livro produto do mundo que o pariu”. Para o autor, Cinco Estações, Poemas de um Verão Urgente sugere o quanto o ambiente que nos cerca e seus humores influem diretamente na nossa vida. “A frase que encerra o livro, de Fernando Pessoa, mostra bem essa realidade, que as pessoas nem sempre notam. Ainda mais quanto o cotidiano das pessoas não permite a contemplação. O livro é isso um olhar atento sobre as paisagens, sobre tudo que nos cerca e nem sempre é percebido”. Serviço: Cinco Estações - Poemas de Um Verão Urgente terá lançamento nesta sexta (14) em Santos, na Livraria Realejo (Avenida Marechal Deodoro, 2, no Gonzaga), às 17 horas, com a presença do autor. No mesmo horário, haverá o lançamento do livro Isso também é realidade, de Patricia Widmer.