[[legacy_image_28890]] O ator e diretor Paulo Betti é um dos homenageados da 5ª edição do Santos Film Fest (SFF), com o tema De Retomada à Retomada: Resistiremos!, e acredita que o evento santista de audiovisual é a tradução do momento pelo qual a cultura passa no Brasil. “Como o próprio nome do festival diz, ele é um ato de resistência do ponto de vista cultural. A pandemia se abate sobre nós e temos um contexto grande de negação da cultura e tentativa de destrui-la. Estamos num momento muito grave”, avalia. Clique aqui e assine A Tribuna por apenas R\$ 1,90. Ganhe, na hora, acesso completo ao nosso Portal, dois meses de Globoplay grátis e, também, dezenas de descontos em lojas, restaurantes e serviços! Betti, que esse ano recebe o troféu Luciano Quirino e tem uma retrospectiva durante o festival, lembra que o filme Lamarca é um marco da retomada do cinema nos anos 1990, depois do fim da Empresa Brasileira de Cinema SA (Embrafilme), estatal que dava incentivos às produções desde 1969. “Na verdade, toda hora é hora de retomada. Retomar é pegar para você e o cinema precisa disso, precisa ser visto pelo público. Estamos num momento delicado, com salas fechadas, mas acho que muita coisa interessante vai aparecer depois disto”, comenta. Ele acredita que no teatro a pandemia se abateu de forma mais radical. “O cinema está na linguagem audiovisual, o que facilita um pouco, já que você consegue passar seu produto pela internet e até pelo WhatsApp”, avalia ele, que durante o isolamento transformou o monólogo Autobiografia Autorizada em um espetáculo com apresentações on-line. O ator fala que iniciativas como o Santos Film Fest são oportunidades do público poder ver o que está sendo produzido. “Estamos respirando por aparelhos e o festival é um desses respiros para poder ver filmes de forma democrática, gratuitamente.” A preocupação do ator – que essa semana gerou polêmica nas redes sociais ao comentar a facada que o presidente Jair Bolsonaro levou durante a campanha eleitoral de 2018 – é que sem os programas de incentivo amplos, o Governo Federal passe a dar recursos somente a uma temática. “O cinema não tem dinheiro e eles vão apoiar filmes heroicos. A visão da Secretaria Especial de Cultura é essa e eu me sinto num campo de batalha para defender o cinema nacional”. Durante o festival, que segue até terça-feira, o público pode conferir os filmes Cafundó, Lamarca e A Fera na Selva. Este último, filmado no Interior, integrou a seleção oficial do 3º Santos Film Fest – Festival Internacional de Filmes de Santos, em 2018, na mostra competitiva, e foi selecionado para o 45º Festival de Cinema de Gramado (RS), a 41ª Mostra Internacional de Cinema de São Paulo (SP) e para o 24º Festival de Cinema de Vitória (ES). A programação completa do SFF está em www.santosfilmfest.com.br.