[[legacy_image_82665]] Quando um carro desaparece, ele vai para um registro nacional que permite encontrá-lo e identificá-lo em qualquer parte do Brasil. Para uma pessoa desaparecida, esse cadastro nacional unificado não existe. Partindo desse problema social pouco ilustrado, o thriller Os Ausentes, primeira série original brasileira Max Originals, produzida pela WarnerMedia Latin America, reúne histórias de pessoas desaparecidas em São Paulo, retratando os distintos submundos que coexistem na cidade e as relações sombrias que envolvem essa questão. A série estreia nesta quinta-feira (22) na HBO Max e é uma grande aposta para os fãs de séries policiais. Clique e Assine A Tribuna por apenas R\$ 1,90 e ganhe acesso completo ao Portal e dezenas de descontos em lojas, restaurantes e serviços! Ausentes é o nome da agência de investigação de pessoas desaparecidas dirigida por Raul (Erom Cordeiro), um detetive que esconde suas próprias cicatrizes na busca obstinada pelos entes queridos de terceiros. Ele entra em conflito quando conhece Maria Júlia (Maria Flor), uma jornalista misteriosa que também tem segredos e cruzes a carregar. Em dez episódios, a série procedural acompanha a dinâmica entre os protagonistas enquanto desenrola casos diversos, que ilustram os diferentes contextos que levam ao desaparecimento de pessoas. Os Ausentes tem direção geral de Caroline Fioratti e direção de Raoni Rodrigues. Completam o elenco principal Flávia Garrafa e Augusto Madeira. Silvia Fu, produtora da série, revela os desafios de desenvolvimento. “É uma série muito grande. Cada episódio tem um caso, uma história. São mais de 100 locações, mais de 100 atores, por volta de mil figurantes, e quase 800 horas de set. A gente fala de relações humanas, da busca por pessoas, e graças a Deus, com muitos finais felizes”. O trabalho de pesquisa envolveu consultoria com diversas pessoas que enfrentaram essa realidade, seja desaparecidos ou familiares. O protagonista Erom Cordeiro ressalta a importância de São Paulo como personagem na trama. “É a maior megalópole da América, uma das maiores cidades do mundo, então imagine alguém se perder nessa imensidão. A cidade foi muito explorada na pesquisa de locação, conhecemos São Paulo a fundo, tanto no centro como em locais que estão no imaginário. A gente vê várias cidades dentro da mesma cidade, é uma grande personagem”, ressalta. Desafios da narrativa Para os autores e roteiristas, o grande desafio era elaborar o desenvolvimento do elenco fixo junto às histórias de cada caso, que começam e terminam no mesmo episódio. Para auxiliar nessa questão, contaram com um consultor importante, o americano Barry M. Schkolnick, que trabalhou em Law & Order, The Good Wife e mais séries procedurais. Essa ajuda serviu para medir a dosagem certa de histórias fixas e pontuais, dando ritmo à trama. Criada por Maria Carmem Barbosa e Thiago Luciano, que também assina o roteiro com Renê Belmonte e Bruno Passeri, Os Ausentes evidencia o problema social dos desaparecimentos sem rodeios. Para Thiago Luciano, a ideia era alertar sobre essa realidade tão invisibilizada. “Me pegava muito pesado saber como se vive com um gigantesco ponto de interrogação nas costas. Faz uns cinco anos que começamos a pesquisa. Quando começamos a entender os números, foi assustador. Só em São Paulo, duas pessoas desaparecem por hora. Não entra na cabeça, é difícil de entender”, desabafa. “Acho que a nossa maior dificuldade em falar nesse tema foi transformá-lo em uma série procedural, chegar em histórias diárias e falar sobre desaparecidos, que não têm uma data certa pra acontecer. É complexo, triste, várias vezes escrevi a série e chorava em casa com algumas cenas, mas foi delicioso”, comenta Luciano. [[legacy_image_82666]] Mulheres no comando Caroline Fioratti celebra sua participação em um projeto de tamanha relevância social, e além dessa responsabilidade com o conteúdo, também se anima em dirigir uma série de gênero predominantemente masculino. “Reforça a luta de nós, mulheres diretoras, por expandir os gêneros nos quais queremos trabalhar. Muitas vezes nos colocam em ‘caixinhas’ ou ‘cotas’ do que consideram ‘audiovisual destinado para mulheres’. Eu sou uma consumidora assídua de séries de suspense, filmes de gênero, documentários criminais, então foi uma experiência maravilhosa dirigir essa série e ter ainda como parceiro o Raoni Rodrigues, importante parte dessa nossa dupla de direção”. A diretora ressalta as grandes mulheres atrás das câmeras nesse projeto. “É muito bom ter essa parceria por trás das câmeras com grandes mulheres. Foi um grande prazer fazer direção geral, que é algo que nem todo mundo compreende que é um lugar feminino”. Ela embarcou na pré-produção e contou como foi o processo durante a pandemia. “A gente se deparou com uma finalização a distância, onde tivemos que reaprender a fazer as coisas, então tenho uma relação muito próxima [com todo o processo]. A gente fica mergulhado naquilo, em cada detalhe, e às vezes é difícil se separar dessa obra”. O apoio de consultores que viveram as realidades expostas no enredo de Os Ausentes ajudou a humanizar o trabalho. “Tínhamos uma riqueza de consultores, que passaram por muitas perdas, muitas dores. Na sala de ensaio era muito intenso para todos nós. Cada contato humano que a gente tinha com essas pessoas era muito intenso, muito real e humano, a gente fez essa série [baseada em] trocas de afeto”. A diretora já tem experiência com projetos humanizados — anteriormente, assinou a direção da série médica Unidade Básica, que retrata o trabalho do SUS.