[[legacy_image_90937]] O álbum SepulQuarta, que a banda de metal Sepultura lança nesta sexta, 13, em CD, vinil e nas plataformas digitais, é uma das boas promessas do momento. Derivado de uma série de eventos online e encontros a distância com músicos de diferentes partes do mundo, que a banda, uma das mais celebradas do gênero, formada por Derrick Green (vocalista), Andreas Kisser (guitarra), Eloy Casagrande (bateria) e Paulo Xisto (baixo), realizou durante o período de isolamento social. Clique e Assine A Tribuna por apenas R\$ 1,90 e ganhe acesso completo ao Portal e dezenas de descontos em lojas, restaurantes e serviços! Dessas jam sessions, em que cada uma gravava sua parte de casa - foram 28 no total -, eles selecionaram 15 para fazer parte deste SepulQuarta, o mesmo nome dos eventos realizados remotamente. As canções escolhidas se dividem entre hits do grupo - são o caso de Ratamahatta, Sepulnation e Kaiowas - e outras que havia tempos eles não tocavam para o público, entre elas, Apes of God e Slaves of Pain, além da faixa Fear, Pain, Chaos, Suffering do álbum Quadra (leia mais a lado), que a banda lançou em fevereiro de 2020, pouco antes de a pandemia se espalhar pelo mundo. "Inventamos o SepulQuarta para conversar com os fãs, para a banda continuar trabalhando com foco, cada um tocando de sua casa. Nunca imaginei o Sepultura sem palco. Somos uma banda de estrada. Porém, com a ajuda dos fãs e da tecnologia, enxergamos uma nova maneira de sermos Sepultura. A primeira ideia era fazer um evento interessante toda quarta-feira. E isso foi crescendo. Chamamos convidados para participar", explica Andreas Kisser, em conversa por vídeo com o Estadão. Para além de um encontro virtual, no final de 2020, o grupo percebeu que tinha faixas de boa qualidade oriundas desses encontros com músicos e cantores. Foi daí que a ideia de lançar um novo disco ganhou forma - e muito também pelo pedido dos fãs. "Era um material fantástico, com convidados incríveis. Resolvemos mixar e masterizar. Nada foi planejado. O disco é muito espontâneo. Não é ao vivo nem de estúdio. Foi feito nesse novo método (gravado a distância) que ainda não tem um nome específico", diz Kisser. Esses encontros musicais eram, a princípio, mixados pelo próprio guitarrista, em um processo quase caseiro, que funcionava muito bem para a internet. Para esse lançamento, as músicas passaram por uma nova mixagem, realizada por Conrado Ruther. Nada foi refeito, segundo Kisser. Uma das principais faixas de SepulQuarta é Slave New World, lançada originalmente no álbum Chaos A.D., de 1993, que agora conta com a participação do guitarrista Matt Heafy, da banda americana Trivium. Um vídeo do encontro virtual será disponibilizado ao público também nesta sexta-feira. "A Trivium já havia feito uma versão para essa música (em 2011). Foi meio que óbvio chamar o Matt. Era como se a gente estivesse em uma turnê, ele chegasse lá para assistir ao show e a gente o convidasse para subir ao palco para fazer um som", revela Kisser Esse processo natural aconteceu igualmente com outros nomes escolhidos pelo grupo. Casos do baixista David Ellefson, ex-Megadeth, que toca em Territory, faixa que abre o disco, e do guitarrista Scott Ian, em Cut-Throat. O encontro entre o Sepultura e Ian, ocorrido em junho do ano passado, já soma mais de 500 mil visualizações no canal oficial da banda no YouTube. Entre os convidados brasileiros está Emmily Barreto, vocalista da banda potiguar de rock Far From Alaska, que divide os vocais com Green em Fear, Pain, Chaos, Suffering. Essa contribuição já havia sido registrada no álbum Quadra. "Conheci a Emmily em um programa de televisão e a convidei para o disco. Foi a primeira vez que a banda trabalhou com um vocal feminino. Fazer essa Fear, Pain, Chaos, Suffering ao vivo, no palco, ia ser muito difícil. Sem ela, não faz muito sentido. A Emmily deu um direcionamento todo especial para a música. Ela entrou no SepulQuarta, nessa performance quarentena, por ser uma versão mais viva, comparada com a que foi gravada anteriormente", conta Kisser. Todo esse processo sem artificialismos pode ser exemplificado também pela faixa Ratamahatta, cuja primeira gravação está no álbum Roots, de 1996. Na nova versão, o baterista Eloy Casagrande, que sempre aparece - ou encabeça - nas listas de melhores do mundo, se junta a outros dois craques da bateria nacional, Charles Gavin, ex-Titãs, e João Barone, dos Paralamas do Sucesso.