[[legacy_image_284870]] A secretária de Cultura, Economia e Indústria Criativa do Estado de São Paulo, Marilia Marton, de 45 anos, esteve em Santos nesta sexta-feira (28) e conversou com A Tribuna. Socióloga formada pela PUC-SP e Mestre em Cidades Inteligentes e Sustentáveis, Marilia é experiente na gestão pública. Foi secretária de Cultura da Prefeitura de São Caetano do Sul, e também chefe de gabinete das secretarias de Educação e da Cultura do Estado de São Paulo, atuando ainda na Prefeitura de São Paulo. Em entrevista, ela falou sobre a proximidade com os municípios para que seja organizada uma agenda de eventos única, sem coincidência de datas, “que amplie a atração e circulação”. A secretária também destacou a importância da realização de festivais. “Isso não só melhora a nossa capilaridade, mas também a possibilidade das pessoas conhecerem a sua própria região”. A Secretaria divulgou uma verba de R\$ 20 milhões para a Cultura e também o chamamento público de dois programas. Quais são eles? Um deles é o programa Circulando, em que a prefeitura se inscreve para dizer quais são os eventos que ela quer apoio do Estado. O outro é o Revelando SP, que tem inscrições até a próxima quinta-feira e se trata de um grande evento que promove a cultura tradicional no Estado de São Paulo. Os programas estão abertos, nesta etapa, para as prefeituras se inscreverem. Então os fazedores de cultura (produtores) precisam procurar as prefeituras para que possam inscrever seus projetos. Quais são os projetos culturais para a Baixada? A gente tem aqui uma Fábrica de Cultura, em Santos, que é para atender toda a Baixada. Temos o Museu do Café, que é um patrimônio nacional e uma parceria perene entre as prefeituras, para que a gente tenha uma presença de Estado muito constante. Por isso que festivais e eventos são fundamentais. De que maneira a Baixada Santista pode atrair mais turistas? Temos desenhado junto com as prefeituras como podemos fazer que agendas aconteçam de forma organizada. E tenho conversado bastante com os secretários municipais. Ao invés de promover eventos no mesmo período, que eles possam acontecer de forma espaçada, para que a gente amplie a atração de circulação. Um exemplo: se tem um evento em São Vicente, quem é de Santos e Praia Grande pode frequentar. Se tenho algo importante em Mongaguá, quem é de Peruíbe pode ir. Que tenhamos festivais atrativos para que pessoas de outras regiões possam vir, mas que, principalmente, possamos promover essa circulação. Isso não só melhora a nossa capilaridade, mas também a possibilidade das pessoas conhecerem a sua própria região. A cultura e a economia criativa estão cada vez mais ligadas. Como a sua secretaria tem trabalhado essa realidade para geração de renda? O grande evento do Estado na Economia Criativa é o Revelando SP. Ele está com inscrições abertas para as prefeituras inscreverem suas economias locais. O Estado tem um olhar macro, quem tem um olhar micro são os municípios. Então, os municípios se inscrevem no Revelando e apresentam suas economias locais. Aqui na Baixada, as culturas de origem caiçara, de artesanato, de dança… Enfim, tudo aquilo que temos de tradicional. Isso é reunido em um festival, que este ano acontecerá em duas etapas: uma em São José dos Campos e outra na Capital, para que as pessoas de outras localidades conheçam as possibilidades e produções criativas que temos em todo o Estado. A Economia Criativa é muito importante, porque ela traz, não somente o empreendedorismo, mas a possibilidade de realmente rentabilizar isso. Então os eventos voltados à ela (festivais e feiras, por exemplo), são importantes para dar visibilidade a esses empreendedores. Tem algum projeto para levar cultura às áreas mais carentes e periféricas da Baixada Santista? Na verdade, a parte de organização da ocupação, a gente acaba deixando para as prefeituras. O Estado atrapalha se ele não trabalhar junto com a prefeitura. A ideia de ocupação do Estado tem que ser a partir do olhar do município. Então, a cidade pode criar um festival de culturas urbanas e entrar em contato com a secretaria e aí ela participa da organização. Aqui em Santos, a Fábrica de Cultura está mais concentrada no Centro Histórico, por exemplo, do que propriamente em uma periferia, mas é claro que as pessoas estão preparadas para receber a todos, de qualquer lugar. Como tem sido a retomada da cultura após o período mais crítico da pandemia? A cultura foi um dos setores mais prejudicados pela pandemia, e a retomada ainda está acontecendo. O desafio da secretaria hoje é esse: fazer as pessoas consumirem a cultura. Nossa cobrança é para fazer coisas criativas, para que a população paulista volte a nos consumir. Qual tem sido o impacto da Lei Paulo Gustavo? O Estado de São Paulo recebeu R\$ 720 milhões que já foram divididos. Então, os municípios receberam as partes deles. A gente teve uma reunião com as 20 cidades que mais receberam, inclusive Santos e São Vicente estavam presentes. A ideia é que tenhamos um equilíbrio de editais para que possamos atender o maior número de produtores. Lembrando que 70% da lei é para projetos audiovisuais. A ideia é atrair para o Estado de São Paulo produções que tragam geração de renda e, mais do que isso, torne o Estado um polo atrativo para o cinema. A conversa com os municípios foi como a gente poderia fazer co-produções, inclusive para trazer para as cidades como Santos, São Vicente, Praia Grande… que têm cenários de praias, cantos, montanhas, que podem tornar-se locações de gravação. O que a população tem buscado na cultura? Acredito que as pessoas têm buscado produções que se conectem com elas (após a pandemia). Temos visto peças de teatro lotadas aqui na Baixada Santista e os festivais, lotados. Estamos voltando com potência e a população se interessando. Não podemos perder isso de foco. Quais são os principais desafios da secretaria? O grandes desafio é ter desenhado os principais pilares da secretaria: fomento, formação e difusão. A partir disso, criar uma estratégia de governo para que tenhamos uma cultura fortalecida no Estado de São Paulo. Já somos um Estado com cultura, já temos uma referência mundial e já somos um Estado que produz cultura, mas devemos sempre avançar e olhar para frente e na frente sempre terão muitos desafios. O que os artistas podem esperar dessa gestão? A gente tem conversado bastante. Acho que esse diálogo é permanente. A secretaria tem uma estrutura para recebê-los. Porém, para que a gente fidelize o público, precisamos ter um respeito com eles. Acho que os artistas já perceberam isso, de que não adianta ter arte ‘para ninguém’, tem que ter arte para as pessoas. O que importa é as pessoas verem. Porque não adianta eu pintar um quadro e ninguém ver; não adianta eu fazer um curta e ninguém assistir… Temos aqui na democratização da cultura um fazedor e um receptor, e esses dois precisam estar em conexão.