[[legacy_image_54928]] Na conceituada rua Oscar Freire, em São Paulo, estão expostos dois desenhos hiper-realistas da santista Isabela Doná, de 21 anos, na Art Lab Gallery. Os dois retratos, inicialmente, foram capturados por suas lentes fotográficas durante um intercâmbio voluntário ao Peru, antes da pandemia. Com grafite, lápis de cor e a essência artística de Isabela, as imagens se materializaram com um novo apelo no papel. “Essa é a minha primeira exposição, assim, maior. Para mim, cada passo conta. E esse foi mais um para eu chegar onde quero”, afirma a jovem, que tem como sonho viver de arte e, em um futuro próximo, desenvolver uma exposição solo e participar de uma residência artística. Apesar de hoje não se imaginar fazendo qualquer outra coisa, o seu espertar foi por acaso, com aulas de desenho aos 13 anos. A ideia foi de sua mãe, que a percebeu sempre “rabiscando” as superfícies ao seu redor. Na época, ela fez um ano de mangá (estilo japonês), mas percebeu que “não era aquilo”. Depois, começou a aprender mais sobre o hiper-realismo, que é o estilo que mais a chama atenção. Isabela seguiu desenhando, aprimorando suas técnicas principalmente com a reprodução de retratos de famosos e ícones da cultura pop. Ao chegar no último ano do Ensino Médio, percebeu que queria cursar Artes para ter uma base mais aprofundada no assunto. Aos 18 anos, então, ingressou na Universidade Estadual Paulista (Unesp) em Bauru, em Artes Visuais. “A faculdade te dá muita liberdade e suporte para criar”, conta. Crítica [[legacy_image_54929]] O isolamento social fez com que Isabela repensasse sua forma de produzir. Seu maior prazer é fotografar e, a partir desses registros, criar suas obras. “Então, no começo da pandemia, acabei desanimando bastante”, principalmente por ter voltado de experiência de intercâmbio ao Peru poucas semanas antes da pandemia começar. Após ficar alguns meses sem produzir como antes, Isabela teve ostart de que, na verdade, esse era o tempo perfeito para ela produzir. Em meio a isso, neste ano desenvolveu a série Quarentena, em que pintou com técnicas hiper-realistas oito cenas de seu “novo cotidiano”. O suporte, desta vez, foi diferente: ela utilizou blocos de madeira de reuso, para diversificar. No momento, a série que a artista está desenvolvendo tem um tom mais crítico, com influências da art pop. Nomeada deFetichismo Contemporâneo, a série busca retratar por meio do hiper-realismo e manipulações de objetos “o mal por trás de grandes marcas que as pessoas têm um vicio não saudável”, explica Isabela. Bansky e Hélio Oiticica são algumas de suas referências. “As pessoas têm uma ideia errada de que hiper-realismo é só demonstração de técnica. Mas, na verdade, também é um suporte para você ilustrar críticas e sentimentos”, enfatiza. Além disso, outro despertar da artista nos últimos meses foi a ruptura da ideia de criar obras “perfeitas e bonitas”. “Agora eu busco deixar minha alma no desenho e é isso”. O trabalho de Isabela Doná pode ser acompanhado pelo Instagram @iamisadona, onde ela também aceita encomendas. Seu portfólio está disponível nestesite.