[[legacy_image_121052]] “Eros é uma questão de limites. Ele existe porque certos limites existem. No intervalo entre alcance e compreensão, entre olhar e contracorreio, entre ‘eu te amo’ e ‘eu também te amo’, a presença ausente de desejo ganha vida”. A frase é do livro Eros, o agridoce, da ensaísta canadense Anne Carson. Mas a resenha de hoje não é sobre ele e, sim, sobre o romance gráfico Heartstopper: Dois Garotos, um Encontro, da britânica Alice Oseman. Clique, assine A Tribuna por apenas R\$ 1,90 e ganhe centenas de benefícios! Eros é deus grego do amor. Sem aviso, ele seleciona seus alvos e os ataca com força, trazendo confusão e sentimentos irreprimíveis. Ou, nas palavras de Hesíodo, ele “afrouxa os membros e enfraquece a mente”. É o que acontece com os dois protagonistas de Heartstopper: Charlie Spring e Nick Nelson. Charlie é um menino gay, tímido e que já foi vítima de bullying no passado. Nick é um jogador de rúgbi gentil e com um coração de ouro. Um ano mais velho que Charlie, Nick ainda não tem certeza sobre sua orientação sexual. Os dois acabam virando amigos por acaso e ficam fascinados um com o outro, embora às vezes confusos sobre suas emoções. Em meio a essa confusão de sentimentos, o desejo de que Carson fala ganha vida. Cada piada interna, maneirismo e olhares escondidos entre Nick e Charlie são perfeitamente traduzidos pelo estilo da autora, que mostra dois meninos se descobrindo da maneira mais terna e sensível possível. Em um cenário em que a sexualidade de personagens de quadrinhos causa polêmica nacional, Heartstopper é uma história leve e bonita e que, com certeza, era o pedaço de arte que faltava na adolescência de vários jovens LGBTQIA+. Heartstopper tem dois volumes publicados no Brasil pela Companhia das Letras, que estão disponíveis por R\$ 59,90. A obra também vai virar uma série da Netflix com oito episódios, ainda sem data de estreia definida.