[[legacy_image_126227]] Quando partiu de São Joaquim da Barra, no Interior de São Paulo, incentivado por seu pai, o garoto Rolando Boldrin carregava consigo os sonhos que nutria desde a infância: viver de música, de arte. Hoje, aos 85 anos de idade, muito bem vividos e celebrados, o múltiplo artista colhe os frutos desse trabalho tão longevo e reconhecido Brasil afora. Clique, assine A Tribuna por apenas R\$ 1,90 e ganhe centenas de benefícios! Tanto é verdade que o apresentador, que está à frente do programa Sr. Brasil há 16 anos, será homenageado com um especial da TV Cultura, a ser exibido dia 29 de dezembro. Para isso, gravou participação em show do grupo Casuarina, que fez um tributo às suas composições, em sua cidade natal, e que será levado ao ar como especial de fim de ano da emissora. Além disso, ele se diz lisonjeado, pois o cineasta João Batista de Andrade deu início, na própria São Joaquim, a um documentário acompanhando a sua trajetória artística e pessoal, que chegará ao canal no ano que vem. Ator, cantor, compositor, apresentador e escritor, Boldrin é tudo isso e muito mais. “Eu sou o que se pode chamar de um contador de histórias”, se autodefine o simpático e falante artista. Em sua extensa carreira, que começou no rádio e viu os primórdios da televisão no País, foi o primeiro a interpretar, por exemplo, Odorico Paraguaçu, de [/TEXTO]O Bem Amado, nos anos 1960. “Eu fiz a primeira novela da televisão, a segunda, também. Fiz tudo”, diverte-se o ator. Livro de causos Além de toda sua obra, que conta com inúmeras canções e atuações, ele revela que usou o tempo em casa, no isolamento por causa da pandemia, para escrever um livro de crônicas, Causos da Televisão ‘Ao Vivo’ E... Outras Histórias (Ed. do Autor, 158 págs., R\$ 38). Divulgador ferrenho da cultura popular brasileira, o também compositor tem mais de 170 discos gravados, atuou em diversas novelas e participou de alguns filmes. “Fiz dois filmes muito bons com João Batista de Andrade, e há uns quatro anos fiz um com Selton Mello”, conta, referindo-se a Doramundo (1978) e O Tronco (1999), do primeiro cineasta, e a O Filme da Minha Vida (2017), do segundo. Contador de histórias Nessa sua trajetória artística, Boldrin foi se destacando como um contador de causos, o que ele foi aprimorando com o tempo. “Essa é uma característica minha desde moleque”, revela sobre essa veia de observador da vida cotidiana e de seus personagens. Mas não foi só isso que o influenciou a seguir esse caminho. “Também assistia a muitos artistas quando iam para o interior fazer shows em praça pública”, relata o cantor, se divertindo ao lembrar que ali mesmo viu grandes nomes da Rádio Nacional. “Vi, ao vivo, Cornélio Pires, responsável por lançar a música caipira gravada no Brasil, contando causos de caipira na pracinha junto com a duplinha que ele trazia”, afirmando ter sido ali que sua veia de contador começou a pulsar mais forte. “Já percebia como eu gostava daquilo e hoje eu conto causos dele, que ele contava. Sempre gostei dessas histórias com efeito engraçado no final”. Incentivo Em sua trajetória, Boldrin lembra também do incentivo que recebeu de alguns colegas e amigos no início, quando engatinhava como ator na TV Tupi. E destaca, entre eles, o dramaturgo Plínio Marcos. Boldrin conta que o dramaturgo, colega de emissora na época, o via contando suas histórias e as pessoas rindo muito e perguntava por que ele não fazia um show. “Mas eu falava, um show de quê?”, retrucava o artista. E Plínio, como conta Boldrin, explicava que a sua contação de histórias era muito engraçada, e enfatizava “isso é Brasil”. “Ele me incentiva a criar o espetáculo”. Senhor Brasil De um jeito ou de outro, Boldrin procura destacar quem lida com o que é cultura popular brasileira, em seus mais diversos formatos. Com relação ao que produz para a TV, afirma que se trata de “um programa estritamente cultural, que mostra todas as correntes musicais e culturais do País”. Ele mesmo tem obras que provam isso. “Eu gravei tudo o que você possa imaginar de Brasil, de ritmos brasileiros, do samba de breque à moda de viola”, conta.