[[legacy_image_199440]] Richard David Court, inglês de nascimento, enraizado no Brasil desde anos 70. Sabe quem é? De sua voz, brotaram Menina Veneno e tantos outros sucessos. Sim, Ritchie, que bateu recorde de vendas em 1983 com o single da canção e com o álbum Voo de Coração – que trazia ainda A Vida Tem dessas Coisas. Clique, assine A Tribuna por apenas R\$ 1,90 e ganhe centenas de benefícios! “Na Inglaterra, de onde eu vim, a gente chama essas músicas de boy meets girl. É um tema que não se esgota, é a mola movedora do nosso universo, de certa forma, um assunto eterno. As músicas com temas eternos, amor, desamor, encontro, desencontro, tudo isso interessa a todas as gerações. Porque é parte da nossa vida, são coisas que são de todos nós”, reflete o cantor, em conversa exclusiva com A Tribuna. O músico veio para o Brasil com 20 anos de idade, a convite dos Mutantes, ex-grupo de Rita Lee, para um período de férias. Porém, a paixão pelo País foi tamanha que ele nunca mais voltou e fez do Brasil sua casa. Ele conta que deu aulas de Inglês por 10 anos, mas sempre quis seguir a carreira musical. “Eu vim para curtir um pouquinho, mas acabou tomando conta de mim. O Brasil tomou conta de mim. No primeiro dia mesmo eu decidi que ia ficar. Ouvi a música Cais, do Milton Nascimento, e fiquei de joelhos com tanta beleza. Aí falei ‘ah, eu quero ficar aqui’. O impacto musical foi muito grande e eu resolvi que queria fazer parte disso de algum jeito, queria me tornar um artista do Brasil”, relembra. Sexto sentidoO artista ressalta que, quando partiu de Londres com destino ao Rio de Janeiro, já estava desconfiado de que ficaria em terras brasileiras. “Acabei ficando mesmo, já são 50 anos de Brasil. Me lembro que a luz, principalmente do Rio, me encantou muito. E o impacto musical foi muito grande, cheguei do aeroporto e ouvi Clube da Esquina (álbum de 1972, que reunia os mineiros Milton Nascimento e Lô Borges)”. Os dois últimos lançamentos de Ritchie foram discos que homenageavam os músicos Paul Simon e Cat Stevens, em 2016 e 2019, respectivamente. Ele explica que os álbuns faziam parte de uma trinca, cujo terceiro artista homenageado era James Taylor. A pandemia, porém, atrasou o lançamento. “Em 2020 lançaríamos o terceiro disco, mas a pandemia meio que derrubou nossos planos, nosso processo de arranjo e gravação foi interrompido. Mas isso ainda está nos planos, assim que as coisas voltarem ao normal”, conta. 40 anosPara o próximo ano, também entra nos planos do músico uma turnê para celebrar os 40 anos do lançamento de Voo de Coração. Ele ressalta que a ideia é fazer uma grande turnê, com shows inicialmente em capitais do Brasil, cantando o disco inteiro. Eternamente apaixonado pela música brasileira, Ritchie cita como referências Milton Nascimento, assim como todo o Clube da Esquina, os Novos Baianos e também os ‘velhos baianos’, como Caetano Veloso e Gilberto Gil, além de Chico Buarque. Seu coração, porém, tem um espaço reservado aos roqueiros. “Os Mutantes, principalmente, esses caras me deram o Brasil de bandeja. Na verdade é isso, eles deram condições para eu perceber quem sou hoje aqui no Brasil. Porque eles me apresentaram aos meus primeiros músicos. Como que eu iria fazer isso sem conhecer ninguém? Então, sou muito grato a eles, são amizades para sempre”.