[[legacy_image_43260]] Em destaque nas novelas e com novos projetos para o cinema, Polliana Aleixo não parou durante a pandemia. A rotina agitada ajudou a ocupar a mente e serviu para processar melhor todo o estranhamento deste momento, que provocou tantas mudanças no dia a dia dos artistas. Em entrevista exclusiva para A Tribuna, a atriz comentou os novos desafios em sua carreira, a relação com suas personagens e como o feminismo ajudou a ressignificar sua trajetória. Clique e Assine A Tribuna por apenas R\$ 1,90 e ganhe acesso completo ao Portal e dezenas de descontos em lojas, restaurantes e serviços! Na quarentena, as reprises têm ajudado a entreter o público durante o hiato nas produções de novelas. Como foi revisitar alguns de seus antigos papéis? Trabalhar com o que a gente ama pode ser intenso e esse último ano de trabalho tem me ensinado a levar as coisas menos para o pessoal. O personagem é cria para o mundo e existem mil possibilidades de como seu trabalho vai ressoar com o passar dos anos. Não só a gente vive em constante mudança, mas também toda a sociedade. Então, aprendi a apreciar o que passou, me preparar para o que vem pela frente e apreciar o agora. Tem alguma personagem favorita ou que reserve uma memória especial? Eu nunca consigo responder isso, porque tenho uma relação de muito carinho por tudo que fiz. Cada personagem é como um filho. Dos trabalhos mais simples até os mais complexos, sempre aprendo muito. Mas tem algumas que realmente nos marcam e outras o próprio público. A Bárbara (Em Família, TV Globo, 2014) e tudo que veio junto com ela é essa personagem na minha vida, pelo menos até agora. Faz 7 anos e as pessoas ainda falam comigo sobre, e isso é algo que me toca sempre. Quais personagens seriam um sonho de interpretar? Tenho muitos. A ideia de trabalhar com algo voltado para a psique humana me atrai muito, como personagens com algum tipo de sociopatia ou quem sabe uma vilã. Eu realmente curto fazer personagens densos. Mas eu estou vivendo um momento muito aberto a experimentar, sabe? Por mais que eu tenha começado cedo, ainda sou nova e espero estar só começando! Gosto de me surpreender com a vida. Qual a importância de interpretar papéis divergentes? Para mim é essencial porque é o que me atrai na profissão. Acho fascinante a ideia de viver diferentes vidas em uma só. E todo trabalho, independentemente do que seja e o tamanho que tenha, ele vai te ensinar, basta saber ver. Na verdade, tem uma frase que eu amo que explica muito como eu vejo e lido com minha vida profissional: “mar calmo nunca fez bom marinheiro”. Para mim, tudo é uma oportunidade de aprender. Fora que é importante para o nosso cérebro fazer coisas pela primeira vez ou diferentes do que costuma fazer, algo que te tire do automático. Como tem sido o trabalho durante a pandemia? Diferente, certamente. Sempre é algo novo, mas agora é realmente repensar um processo inteiro e até a própria logística. Tem sido uma grande lição de resiliência. Estou fazendo o exercício de colocar mais a minha energia em como posso lidar com os imprevistos ao invés de me desgastar pensando nos possíveis problemas. Como foi se aventurar na comédia? Sem querer fazer trocadilhos, mas já fazendo, foi divertidíssimo (risos). Perdi o medo de me expor ou me sentir vulnerável e isso é algo que reverbera até hoje na minha forma de trabalhar. Tive a sorte de poder me descobrir num ambiente muito seguro e com pessoas que admiro e respeito muito. A arte da palhaçaria é uma das expressões mais puras e singelas de arte. Me abriu para tantos outros universos! Como está a expectativa para a estreia de 'A Sogra Perfeita'? Pode nos falar um pouco mais sobre esse projeto e sua personagem? Não vejo a hora de estrear. Eu já assisti e fico doida para poder mostrar para todo mundo! Foi um trabalho muito especial, onde cruzei o meu caminho com pessoas que fizeram a diferença, como a nossa diretora Cris D'Amato, que foi uma maestra amorosa em cada processo do filme. Minha personagem é a Cileia, treinada pela personagem Cacau Protásio para fazer o filho se apaixonar por ela e, finalmente, sair de casa. Obviamente, muita confusão se desenrola disso tudo e tenho certeza que vai divertir muitas pessoas. Você comentou como o feminismo ressignificou sua relação com seu corpo no ano passado. Pode nos falar sobre esse processo? Eu venho ressignificando minha relação com meu corpo há muito tempo, é um processo diário. O problema é que as pessoas acham que é algo que se resolve, quando na verdade é algo que se lida. Eu era uma menina quando comecei a trabalhar e as pessoas passaram a me conhecer, tinha 11 anos e naturalmente cresci, encorpei. (...) Com o tempo e a terapia, entendi que tive uma criação que baseou muito minha autoestima em cima do que eu tinha de conhecimento. Eu me sinto bonita lendo um livro de mais de quinhentas páginas, sabe? Talvez pela profissão também, eu tenha esse desapego com o corpo. Eu mudei muito e ainda vou mudar. E que bom! Meu corpo não está, nem nunca esteve, a serviço de ninguém. O que importa é que eu me vejo muito além disso.