[[legacy_image_172518]] Sem exagero: o repórter chega literalmente a escutar o besouro que interrompe a conversa. Do outro lado da linha, Edivaldo Pereira Alves se livra do inseto e retoma o papo. “Aqui é assim. Meio do mato mesmo. Sinal de internet e celular às vezes não é lá essas coisas”, avisa, sobre a ligação que teima em cair. Clique, assine A Tribuna por apenas R\$ 1,90 e ganhe centenas de benefícios! “Quando chove, então, piora.” Edi Rock está em seu atual refúgio, para onde se mudou com a esposa: um santuário rural em Ubatuba, entre a montanha e o mar, cercado de muito verde e distante razoáveis léguas do centro da cidade para assegurar a tranquilidade. A princípio, a ideia era fugir da pandemia. Mas um dos fundadores do Racionais Mc’s acabou ficando. Revigorado, o músico trilha passos ousados: fechando a trilogia aberta em 2019 com o elogiado blend rítmico de Origens, passo acertado na carreira solo, seguido de Origens Parte 2 (2020), sua resposta à pandemia, vem aí Origens Parte 3, com versões sinfônicas, orquestradas, para alguns dos maiores hits dos Racionais; em paralelo, a curadoria do selo ROC7, a quatro mãos com a Virgin Music Brasil, irá garimpar novos talentos do rap. “Aguardem Racionais e Edi Rock em 2022”, avisa. Por que sair da metrópole? É o que quero para mim no momento. Sempre fiz tudo em prol de algo ou alguém: da família, do trabalho, da carreira, do grupo, dos filhos. Chegou a hora de pensar no meu futuro. Onde vou morar, como e onde vou envelhecer, essas coisas. Porque em São Paulo, definitivamente, não dá. Aqui, vou à cidade apenas para o necessário (...) O primeiro tempo já foi jogado. Agora, no segundo tempo, quero uma vida saudável. Profissionalmente, isso me favoreceu muito. Foi uma reviravolta importante, que me permitiu enxergar minha carreira e minha vida de outro ângulo. Essa mudança o fez produzir mais? Foco, né? Tive a oportunidade de focar. Isso na arte, no Brasil, é um privilégio. Pude me dedicar de corpo e alma. Aprendi uma nova fórmula de trabalhar. Está me fazendo bem, estou feliz. Tenho um disco já pronto e outro a caminho. O Origens Parte 3 fecha a trilogia aberta em 2019 com o Origens e o Origens Parte 2. Será um trabalho acústico com algumas inéditas e alguns clássicos dos Racionais que eu canto. O maestro Josué Polia, com quem assino a produção, está escrevendo as partituras e estamos ensaiando. Também estou produzindo um DVD com músicas dos dois primeiros Origens, com participação de convidados que estiveram nos discos, como Rael e Seu Jorge. Que avaliação faz hoje dos dois álbuns Origens? Ouço sempre, quase todo dia. Dois bons discos, mas distintos. O primeiro é mais variado. A ideia original era essa mesma, variar, misturar. É o típico retrato do rap naquele momento. É mais musical, mais orgânico. Já o segundo é como o rap atual, só peso. Foi feito na pandemia, então é só rima e batida, eu caminhei para o rap original. São momentos diferentes, um do outro, mas que, juntos, sintetizam toda minha carreira. Como se desenvolverá o selo ROC7? Dentro de meus projetos pessoais, é uma ideologia, que estou tocando com a Virgin a passos curtos, para 2023, sem querer abraçar o mundo. Mas é uma ideia da qual gosto muito: soltar músicas de novos talentos. Esse é o foco. Adolescentes, jovens, mas o projeto abrangerá também gente mais rodada, já conhecida (...) Como disse, é ideológico, não é por dinheiro.