[[legacy_image_90512]] O músico Paulo Sérgio Dias Junior, conhecido como “Jota Erre”, de 31 anos, afirmou que foi vítima de um ato racista ao ser chamado de “escravo” por uma jovem enquanto organizava uma “Batalha de MCs” em uma casa noturna do Centro de Santos, na última sexta-feira (6). A reportagem de A Tribuna entrou em contato com o MC, que resumiu o episódio como algo “inacreditável” e que “nunca vai esquecer” do ocorrido. Um boletim de ocorrência foi registrado nesta quarta-feira (11) pelo músico. Clique e Assine A Tribuna por apenas R\$ 1,90 e ganhe acesso completo ao Portal e dezenas de descontos em lojas, restaurantes e serviços! De acordo com o relato do músico, a situação começou quando ele estava “pedindo os votos” para os rappers que haviam acabado de participar da batalha. Em um determinado momento, a jovem em questão, que estava torcendo para uma MC ao lado de duas outras mulheres, iniciou uma sequência de provocações contra ele e o mandou “tomar no c..”, mas Jota Erre disse que conseguiu “levar na brincadeira” e continuou com o trabalho. A MC que o grupo de meninas torcia acabou derrotada e, após a divulgação do resultado, o músico foi levado até a mulher. A vítima relata que ainda tentou “brincar” com a jovem e pediu para repetir o que havia dito. Segundo ele, naquele momento, ouviu a seguinte frase: “É isso, vai tomar no seu c.., escravo”. “É bem pesado, ainda mais pela naturalidade, frieza, normalidade que ela usou. Inacreditável”, relata o rapper. “Eu não tive reação alguma, de fazer absolutamente nada, eu simplesmente travei e fui lá pra fora com os amigos que estavam comigo e que também ficaram inconformados". Jota Erre diz que está incrédulo com a conduta da jovem "ainda mais falando de uma forma tão escrachada e dentro de um evento de rap, de preto”. Embora o crime tenha acontecido em tal evento, o músico faz questão de afirmar que a dona da casa noturna e a organizadora da festa não estavam cientes do ocorrido no momento. Além de relatar o crime de racismo sofrido, ele também refletiu sobre o comportamento da mulher. "Ela estava junto com uma ‘mina’ que é preta, o que só me faz pensar que ela é daquele tipo de pessoas que dizem que não são racistas porque ‘têm uma amiga preta’”. [[legacy_image_90513]] O rapper revelou que já vivenciou outros momentos desagradáveis envolvendo racismo durante a sua vida, mas o caso recente foi o mais impactante de todos eles. “Passei por algumas situações de racismo velado, como em entrevista de emprego, passeio em shopping, abordagem policial, coisas que até a gente entender que aquilo foi racismo, às vezes demora, principalmente pra preto não retinto, ou como dizem 'light skin'", conta. "É tanta gente querendo tirar nossa raiz, nossa cor ou fingir que não existe racismo porque 'você não é tão preto assim', mas pro racista, na hora da raiva, na hora de querer rebaixar ou ofender, não importa, você é preto demais!”, desabafa o músico. “Foi a primeira vez que eu passei por isso diretamente e sempre pensava em mil coisas quando via acontecer com os outros”, comenta Jota Erre, que teve dificuldades para desabafar com os demais sobre o caso durante algum tempo. “Não falei pra quase ninguém durante dias, achei que esqueceria, não achei que impactaria tanto, mas de fato acho que nunca vou esquecer não”. Depois do caso ganhar repercussão nas redes sociais, o músico registrou um boletim de ocorrência. "Com o tanto de gente mandando mensagens de apoio e dicas do que fazer, como o 'B.O', por exemplo, eu me sinto bem melhor do que fiquei durante esses dias". "Acho que pra racismo, o processo de desconstrução já acabou faz tempo. Quem tem fala racista até hoje, é porque é. E quem se cala pra esse tipo de situação ou 'prefere não opinar', pra gente, está do lado do opressor", finaliza.