[[legacy_image_342341]] Dois eventos marcaram a Pinacoteca Benedicto Calixto, em Santos, na noite desta quinta (14). Foram inaugurados um espaço dedicado à vida e à obra de Armando Sendin e a 2ª Edição do projeto Arte na Pinacoteca, com a exposição A Arte da Natureza. A coordenação da 2ª Edição do projeto Arte na Pinacoteca é de Leila Gazzaneo, que destaca o sucesso do evento realizado no ano passado e que, para 2024, vai contar com sete exposições distintas distribuídas até janeiro de 2025. “O projeto do ano passado teve um alcance enorme de público. A Pinacoteca superou as expectativas e o quanto significou para a cidade.” [[legacy_image_342342]] Carlos Zibel e Antonio Carlos Cavalcanti Filho foram os responsáveis pela curadoria das duas exposições. Em A Arte da Natureza, seis artistas estão em exposição. “Jader Esbell e Célio Melo trabalham com a linguagem e o imaginário, por meio de tradições ligadas a culturas tradicionais. É a natureza por quem vive na natureza. Já o Cláudio José Tozzi e o Roberto Salvador são artistas contemporâneos, considerados dois dos nomes mais importantes que surgiram no movimento Pop Arte e trazem temas como sustentabilidade de forma poética e também crítica. Enquanto as artes tradicional e contemporânea são retratadas nos trabalhos de Mário Ishikawa e José Roberto Aguilar que usam como inspiração os processos humanos”, explica Zibel. Carlos Tozzi esteve no lançamento. “É uma exposição que mexe com a ecologia em vários sentidos. Onde faço uma certa crítica em relação à exploração indevida da natureza.” Mário Ishikawa explicou a origem da técnica Pop Art das obras que trouxe para serem expostas até o dia 14 de abril. “Essa é uma técnica que resgatei da minha infância, utilizando a fumaça de uma lamparina para reproduzir o conceito. Quando pequeno, sem muitas condições, eu pintava e desenhava em fuligens de fumaça e com carvão. Assim comecei. Hoje passei a investir no trabalho com os elementos da natureza, como o fogo, o ar, a água e a terra. Nesse caso, utilizei o fogo, mas com o ar que conduz a arte nas telas”. [[legacy_image_342343]] Espaço Armando SendinNascido no Rio de Janeiro, mas com passagens em diversas cidades do Brasil, entre elas Santos, e também na Espanha, Armando Sendin ganhou um espaço permanente na Pinacoteca. Nessa primeira exposição foram reunidas 17 obras que serão rotativas, ou seja, de tempo em tempo serão substituídas. Isso será possível porque antes de se mudar para a Espanha, onde faleceu aos 92 anos, Sendin doou 127 quadros e peças em cerâmica de autoria do autor. O curador Antonio Carlos Cavalcanti Filho destaca toda a amplitude artística de Armando Sendin. “A intenção dele era que o público tivesse acesso a todo esse material. Ele viajou no universo do abstrato, do hiper-realismo, da escultura, é tudo o que produziu é muito valioso para a cultura como um todo.” Precursor do realismo impressionista, Armando Sendin e o irmão, Waldemar Moral Sendin, deixaram suas marcas em Santos e São Vicente. Uma delas é o painel de azulejos da Biquinha de Anchieta, em São Vicente. A irmã, Estrella Moral Sendin Muller, de 101 anos, esteve na cerimônia de inauguração do espaço. “O Armando vinha da escola e a mamãe fazia uns cadernos e dava alguns lápis e ele se jogava no chão e ficava pintando muitos patos. O pessoal até brincava, dizendo que ele era o nome dele era ‘pinta patos’ e ele ficava bravo. Dizia ‘não, eu sou o Armando’”, conta aos risos. Para o diretor da Pinacoteca e diretor-presidente da TV Tribuna, Roberto Clemente Santini, a presença da família de Sendin na inauguração é motivo de comemoração. “Sendin sempre teve uma ligação muito grande com meu pai também, com minha família. Então é uma pessoa muito querida por todos aqui. Estou muito feliz de ter a irmã dele aqui, a prima e o sobrinho. Recebemos recado da esposa dele, Sita, da Espanha, e todos estão muito contentes com essa valorização ao grande artista que ele sempre será”. A inclusão das obras de Armando Sendin acrescenta muito para a Pinacoteca de Santos, afirma o diretor cultural da Fundação Benedicto Calixto, Eduardo Paulino. “Quem está mais feliz hoje são as paredes do Casarão, porque nós estamos propiciando o encontro de dois grandes mestres [Benedicto Calixto e Armando Sendin], com a diferença de técnicas e tempo.” A presidente da Associação de Amigos da Pinacoteca Benedicto Calixto, Cristina Guedes, relata ainda que, além das exposições abertas ao público, o Casarão ainda conta com uma extensa programação dedicada ao estímulo cultural. “Estamos tendo o Canto Coral, curso livre de Piano e vão começar as oficinas de Contação de História, que as pessoas vão poder se inscrever na página da Pinacoteca, e ainda teremos o curso de Artesanato indígena.” ServiçoA exposição Arte da Natureza segue até o dia 14 de abril e é aberta ao público de terça a domingo, das 9h às 18h. A entrada é gratuita.