[[legacy_image_88386]] Seja em um teatro, uma praia, dentro de casa ou até mesmo sob um fundo verde. No espetáculo teatral William... e Nós..., da Baixada Santista, obras de William Shakespeare são revisitadas – e sem demagogias. Em 42 cenas, 56 atores da região se debruçam sobre os clássicos shakespearianos e os reinventam, a partir de reflexões pessoais e contemporâneas, com criatividade. Clique e Assine A Tribuna por apenas R\$ 1,90 e ganhe acesso completo ao Portal e dezenas de descontos em lojas, restaurantes e serviços! O espetáculo, realizado pelo Coletivo MakeShake, estreia nesta sexta-feira (6). Sonho de uma Noite de Verão, Romeu e Julieta, Macbeth, Tito Andrônico e Otelo são algumas das obras que serão referenciadas ao longo das três sessões complementares do William... e Nós..., com transmissões às 16, 19 e 22 horas pelo YouTube no canal do Coletivo. Cada sessão durará, no máximo, 2h30 minutos. A programação se repetirá ao longo do final de semana e nos dias 13, 14 e 15 deste mês. Mais informações são divulgadas no Instagram do Coletivo, onde também é possível acompanhar o processo criativo. Ideia antiga Originalidade e transformação são fatores que se sobressaem nesse projeto, cuja primeira versão ocorreu em 2005. Maria Tornatore, diretora e idealizadora, resgatou a ideia em 2017, fundando o Coletivo MakeShake para remontar o espetáculo, que segue ganhando novos formatos até hoje. “Nós temos essa vontade de modificar trabalhos que temos. Essa é uma particularidade minha também”, conta. [[legacy_image_88387]] Desta vez, a quarta versão, as cenas foram gravadas entre quatro paredes, na frente de uma tela verde. Na pós edição, esse chroma key se transforma em paisagens com mares e areia. Essa forma de trabalho foi escolhida por conta da pandemia, que impossibilitou apresentações presenciais. No elenco, há atores e atrizes crianças, adolescentes, adultos e idosos, que enriquecem as performances com diversidade e pontos de vista. Além disso, elementos cênicos complementam as apresentações e reafirmam o ar “litorâneo” dos cenários artificiais. “Esse espetáculo impacta mais quem faz do que quem assiste”, comenta Maria Tornatore. Cada ator ficou livre para escolher sua cena e, através de um personagem de Shakespeare, transpor situações, vivências e reflexões que impactaram suas próprias vidas. Para Miriam Vieira, atriz e produtora cultural que foi convidada para auxiliar na direção da peça, as obras de Shakespeare têm apelo universal. “Falam de vários temas diretamente ligados a relações humanas, questões de poder e amores”. Somados à sensibilidade de cada artista, Miriam crê que as cenas chegam a resultados interessantes. Desafios Em cada versão de William... e Nós..., novas dinâmicas são reveladas. Neste caso, em tempos pandêmicos, a adaptação do teatro para o formato híbrido, com elementos do cinema e do audiovisual, foi o que tornou a produção desafiadora. “É outra linguagem dentro do processo. Estamos nos apoderando dela e nos aprimorando. Mas é uma outra coisa... porque não é nem teatro, nem cinema, nem um videoclipe. É algo que estamos descobrindo”, acredita Miriam. Além disso, as atuais diretoras da peça ressaltam a questão de que são muitos atores juntos nesta produção. “É quase uma ala de escola de samba”, brinca Miriam. De qualquer modo, para elas, é essa troca de experiências que enriquece o processo. “É um grupo imenso composto por pessoas que, na maioria, nunca tinham pisado dentro de um estúdio, por exemplo. Eles estão experimentando, como nós. E se arriscar a experimentar, investigar outras formas de atuar, é muito importante na arte”. Coletivo Makeshake O coletivo MakeShake foi criado em 2017 e, atualmente, é composto por quatro grupos de teatro da Baixada Santista: Grupo Taetro de Teatro (São Vicente), Cia.Héterus de Teatro (São Vicente), Grupo Mamutes Anões das Ilhas Ryukyu (Santos) e Cia.Art&Manha (Cubatão). O processo artístico é desenvolvido em conjunto, com a colaboração de outros artistas cênicos da região, que compõem o elenco do espetáculo William... e Nós....