[[legacy_image_292062]] A arte é uma forma de explorar e entender as emoções e a vida. Desta forma, a ceramista Flávia Pircher despertou sua paixão por cerâmica. Ela esteve no Congresso Nacional de Técnicas para as Artes do Fogo (Contaf), que ocorreu em Santos este mês, e comandou a palestra Kintsugi: Celebrando a Beleza das Cicatrizes - Uma Jornada de Reconstrução. No Contaf, ela destacou a ideia de que as cicatrizes fazem parte da beleza e da arte. Kintsugi é uma modalidade da cerâmica que traz o fogo como principal técnica aplicada. Para quem quer iniciar na cerâmica, Flávia explica que, ao produzir uma peça, o importante é deixar o medo de lado. “A melhor dica é saber que, na área da cerâmica, você não precisa de muita coisa pra fazer. Só é necessário queimar o material. Não pode ter medo de pôr a mão na argila e experimentar. Permitir-se estragar a peça. Faça o que você tem vontade. Temos que ultrapassar o limite do material para ver o seu limite. Se você não ousa, você não avança”. Ceramista há 16 anos, Flávia possui ateliê em Vinhedo (SP) e integra o grupo de pesquisa sobre Impressão Gráfica em Cerâmica Contemporânea da Universidade de Buenos Aires (UBA). Já participou de residências artísticas no Japão, Índia, Áustria, Alemanha e Taiwan. Também dá aulas em seu canal Cerâmica em Casa, no YouTube. Vaticano e LouvreEntre suas mostras, expôs a trilogia Kátharsis na Galeria La Pigna, no Vaticano, em uma colaboração com o curador italiano Edoardo Pacelli e com a curadora brasileira Ligia Testa. “A proposta era sem fronteiras, com artistas de todo o mundo. E essa curadora brasileira (Ligia) indicou pintores e eu na parte da cerâmica. Ele avaliou meu trabalho e me convidou”. Flávia também expôs no Louvre, em Paris, desta vez a mostra Kathársis Luto, indicada pela também artista brasileira Tita Selicani e pela presidente da Divine Academie, Diva Pavesi. A ceramista ressalta que sua arte é interligada às questões humanas, como sentimentos, medo ou até uma fase da vida. Antes, era uma forma de aliviar a pressão, de quando trabalhava como advogada. “Eu usei a cerâmica como contraponto para aliviar minha dor da profissão de advogada. Me apaixonei e migrei para a cerâmica de vez. Ela foi minha terapia emocional”. Para ela, nos últimos anos, houve valorização da cerâmica. “Desde o início da pandemia, cresceu muito. De uns 10 anos para cá, temos uma valorização da cerâmica artística pelos restaurantes e pelo consumidor final em si. Tem muita gente interessada em comprar. Tem bastante campo de venda. É promissor”.